Cine Marabá reabre no dia 30, como multiplex

Depois de muitas promessas, o lendário Cine Marabá, inaugurado originalmente em maio de 1945, no número 757 da Avenida Ipiranga, reabre as portas para o público no próximo sábado. A Playarte tenta manter segredo sobre o filme de estreia, mas, segundo apurou o Estado, o longa-metragem do trio americano Jonas Brothers, filmado em 3D, deve inaugurar a sala 1, a principal do agora multiplex, onde foi preservado o palco - ou boca de cena. O que já foi a mais glamourosa sala de projeção de São Paulo, onde a Cia. Vera Cruz fazia as avant-premières para 1.438 seletos convidados, foi dividida em cinco salas menores e ovais, a principal com 450 lugares e a menor com 170, equipadas com as modernas cadeiras dos cinemas de hoje - no lugar das originais, de couro, guardadas a pedido do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Compresp), responsável pelo tombamento do Marabá. "Acho que o Cine perde um pouco do glamour de antigamente, mas é melhor assim do que fechado ou exibindo filmes pornográficos, destino de outros cinemas do centro", diz o jornalista Julio Simões, que escreveu Cine Marabá - O Cinema do Coração de São Paulo, como monografia de conclusão de curso, sobre a revitalização do espaço. "As características fundamentais da sala foram mantidas e o mais importante é que a obra segue um princípio fundamental do restauro que é a reversibilidade, ou seja, poderá um dia voltar a ser como antes", diz a arquiteta Lícia de Oliveira, do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH).A fachada de estilo eclético, com ornamentos rendilhados, e o imponente saguão, de mármore Carrara, piso parquê em madeira maciça, colunas que chegam ao mezanino e um imenso lustre de cristais, foram restaurados. O projeto é do arquiteto Ruy Ohtake. "O grau de tombamento do Marabá é o mais rigoroso", diz Ohtake, que começou a trabalhar no projeto ainda em 1999. O Marabá passou à administração do Grupo Playarte em 1996 e foi fechado em 2007. Proprietário do Cine Dom José, doutor Chiquinho comemora a abertura do Marabá. Só não concorda com a divisão da grande sala de projeção em cinco pequenas. Entre plateia e balcão, o Cine Dom José pode receber 1.100 pessoas e o Windsor, também dele, 1.200. "Ah, quanto maior o cinema, maior a emoção", diz ele, que sonha em ver de volta às telas, com 12 metros de largura, clássicos do cinema. "Contagia!"

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