Cine Olido vai levar mais glamour ao centro de SP

O uniforme obrigatório era black-tie e vestido longo, sempre impecavelmente engomados. Nas décadas de 50 e 60, o Cine Olido tornou-se um dos lugares mais chiques e requintados do centro de São Paulo. Tinha até uma orquestra para entreter o público antes das disputadas sessões de cinema. Mas os maus-tratos do tempo e dos freqüentadores não pouparam o Olido - assim como todo o centro. Com a Prefeitura plenejando a volta dos tempos áureos da região, o prédio do Cine Olido - na deteriorada esquina da Avenida São João com a Rua Dom José Gaspar - foi o escolhido para inaugurar a onda de revitalização do centro. Neste momento, ele está sendo todo reformado para novamente se tornar uma referência na cidade. Vários andares já estão prontos para abrigar a Secretaria Municipal da Cultura, a Ouvidoria do Município e a Secretaria Municipal do Abastecimento - que se mudarão para lá no dia 6 de janeiro. E no final de 2003, os black-ties e os vestidos longos voltarão ao local - é nesta data que uma luxuosa e espaçosa sala de concertos será inaugurada no lugar dos três cinemas. Parte da reforma está sendo bancada pelos donos do prédio do Olido. A Prefeitura, que vai pagar R$ 210 mil todo mês pelo aluguel, pretende utilizar parcerias para conseguir mais verbas. "Ainda não chegamos na etapa de colocar preço", diz o chefe de gabinete Marco Antônio Nascimento Pereira. "Não vamos fazer nada faraônico e megalomaníaco, mas também não faremos de qualquer jeito." O edifício Domingos Fernandes Alonso (que abrigava o Olido) conta com 23 andares e 24 mil metros quadrados. A primeira parte do projeto, que será entregue antes do Ano-Novo, inclui apenas do 9.º ao 15.º andar - eles serão tomados pela administração da Secretaria da Cultura, que está atualmente na Rua Frei Caneca. O 11º andar, por exemplo, já está inteiramente reservado para o secretário municipal da cultura. Da janela, se tem uma bela vista do Teatro Municipal e do prédio do Banespa (futura sede da Prefeitura). Resta só saber quem será o titular do cargo - o atual, Marco Aurélio Garcia, estaria deixando a secretaria para assumir uma assessoria do presidente eleito, Luís Inácio Lula da Silva. O mais cotado para ocupar o andar é o ator Celso Frateschi, que já foi secretário de Cultura de Santo André. Lojas, restaurantes e cyber café Do 16.º andar em diante, o espaço será dividido entre a Secretaria Municipal de Abastecimento e a Ouvidoria do Município. Mas a verdadeira revolução irá acontecer até o final do ano que vem, no térreo e nos primeiros andares. Quase tudo será demolido para dar lugar a um centro cultural. Serão construídas do 1.º ao 8.º andar diversas salas com pé direito altíssimo para abrigar as sedes da Orquestra Sinfônica Municipal, da Orquestra Experimental de Repertório, do Coral Lírico, do Balé da Cidade e da Escola de Música. Já as três salas de cinema, desativadas há anos, voltarão a ser uma só - como no espaço original, inaugurado em 1957 com o filme Tarde Demais Para Esquecer (com Cary Grant e Deborah Kerr). Com capacidade para 600 lugares, a sala de concertos será erguida de acordo com as especificações dos maestros da Orquestra Sinfônica Municipal. E, para finalizar, o piso térreo também terá lojas, restaurantes e um grande cyber-café. "O projeto que está sendo feito é muito bonito, principalmente pela importância que ele vai ter para a cidade", diz Denise Alcantara, arquiteta do Teatro Municipal que está cuidando da idealização da sala de concertos (ilustração abaixo). "Vai ser uma contribuição imensa para o centro."

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