Cinemas e livrarias lotam em São Paulo

Cenas de aeroportos e rodoviárias lotados e do trânsito congestionado nas principais estradas de saída de São Paulo, no início dos dias de carnaval, deixaram a impressão de que não restou ninguém na cidade. Engano. Muita gente passou esses dias na capital e aproveitou para fazer programas do jeito que todo paulistano sonha: sem trânsito, com vagas de sobra para estacionar e quase nenhuma fila. Quase. Quem tentou ver a exposição Dinos-na-Oca e outros Animais Pré-Históricos, na Oca, teve uma surpresa, hoje. Por volta das 17 horas, 360 pessoas, entre adultos e muitas crianças, amargavam uma fila de mais de 40 minutos de espera até chegar à bilheteria. Comprado os ingressos, tinham de enfrentar outra fila para entrar. "A gente deixa para fazer esses programas num feriado porque não tem fila e olha aí", disse Sandro Correia, 39 anos, de Campinas, que fez hoje um bate-volta com as filhas Janaína e Jaqueline, de cinco e sete anos. Acontece que muita gente teve a mesma idéia de Sandro. Na Oca, mais de 10% das pessoas à espera para entrar vinham de fora de São Paulo. Gente de Carapicuíba, Mogi das Cruzes, São José dos Pinhais, Praia Grande, Américo Brasiliense, Osasco, Embu, Sertãozinho, Santo André, Itapira, Cotia, Guarulhos, São Bernardo do Campo, Jandira, Valinhos e Suzano. Enquanto isso, o Museu de Arte Moderna (MAM) permanecia de portas fechadas, assim como outros espaços públicos. Tivessem aberto as portas, lotariam. Assim como os shopping centers Ibirapuera e Iguatemi, as pontas de estoque da rua Bem-Te-Vi, em Moema, as livrarias Cultura, os cinemas da cidade e tantos outros locais que abriram ao público durante os dias de carnaval. Cinemas lotados "Estamos com movimento semelhante ao de um sábado", disse Breno Mirisola, coordenador de atendimento das quatro unidades da livraria Cultura, no Conjunto Nacional, que abriram todos os dias, mas estarão fechadas amanhã. A do Shopping Vila Lobos permanecerá aberta. "São bons dias para fazer comprar e ir ao cinema porque o estacionamento é tranqüilo, não há marronzinhos multando as pessoas nas ruas e as filas não são grandes", disse o administrador de empresa Eduardo Santos, que folheava o livro A Sangue Frio, de Truman Capote, sentado à escadaria da Livraria Cultura. À noite, ele assistiria à biografia do escritor, em versão para o cinema, no filme Capote, em cartaz. Carnaval, "só pela televisão e olhe lá." No mesmo Conjunto Nacional, o Cine Bombril atraiu muita gente para as salas 1 e 2, nas duas sessões vespertinas dos filmes Orgulho e Preconceito e Paradise Now. "Foi um movimento excelente para uma segunda-feira", diz o gerente do Cine Bombril, Robeto Spedito Vieira da Silva. "Já brinquei muito carnaval. Não tenho mais paciência para perder horas no trânsito e enfrentar multidões", disse Domicilia da Glória, de 65 anos, na fila do cinema. No Kinoplex do Itaim, não fosse a possibilidade de comprar ingressos pela Internet, muita gente ficaria de fora das sessões dos principais filmes em cartaz, como O Segredo de Brokeback Mountain, indicado ao Oscar de melhor filme, lotadas todas as noites, desde sábado. Muita gente também optou por ver filmes em casa e as locadoras abertas, hoje, registraram grande movimento, como a 2001, na Avenida Sumaré, e as unidades da Blockbuster espalhadas pela cidade. Sossego, só nas ruas. Não que o movimento de carros não fosse intenso, mas pelo menos nos últimos três dias, São Paulo esteve livre dos usuais congestionamentos.

Agencia Estado,

27 Fevereiro 2006 | 20h08

Mais conteúdo sobre:
carnaval carnaval 2006

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.