Cinza cobre outro grafite no centro da cidade

Obra na Consolação estava sobre acesso a elevado e autores não tinham permissão para usar espaço; em julho, imagem na 23 de Maio foi retirada

Lais Cattassini, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

Foi apagada mais uma obra de grafiteiros do cenário urbano, também na região central de São Paulo. Imagens coloridas antes presentes na mureta da Rua Consolação, em um trecho sobre o acesso ao Elevado Costa e Silva, foram substituídas por tinta cinza, tipicamente encontrada nos muros chapados da cidade. A obra, em frente à Igreja da Consolação, era de autoria da dupla Osgemeos e dos grafiteiros Nunca e Zezão. Eles, no entanto, não tinham autorização para uso do espaço.Para a realização de obras, os grafiteiros precisam de permissão da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), responsável por fiscalizar e normatizar a paisagem urbana em São Paulo. "Os painéis maiores são respeitados, mas já perdemos muitas obras pequenas", conta Gustavo Pandolfo, integrante da dupla Osgemeos. A Emurb também define o que é pichação ou grafite.Para os artistas, a diferença, no entanto, entre as formas de expressão apresenta-se na cor e na beleza das obras. "O grafite agrada mais, é mais colorido e detalhado. Mesmo assim, nada deveria ser apagado", afirma o artista Francisco Rodrigues, conhecido como Nunca. Ele defende a criação de regras e critérios para estabelecer o que pode ou não ser apagado durante as ações da Prefeitura. "Falta informação."Segundo a diretora de Paisagem Urbana da Emurb, Regina Monteiro, a permissão do órgão define os padrões, para evitar a pichação. "Precisamos organizar as áreas com licença. A ideia é elaborar um roteiro do grafite na cidade." Para Regina, a durabilidade dos grafites também tem de ser debatida. "Os artistas declaram que as obras não devem ser eternas." A diretora lembra aos artistas para que procurem a Emurb antes de executar uma obra.Apesar dessa orientação, artistas como Eduardo Kobra, que tem aproximadamente 20 painéis espalhados pela cidade, demorou mais de três meses para poder começar a pintar um painel de mil metros quadrados em comemoração ao aniversário da cidade, na Avenida 23 de Maio. "Demorou tanto para conseguir a autorização que nem pensei em procurar patrocínio", disse Kobra. "Preciso aproveitar para fazer isso agora, antes que a Prefeitura desista." O artista contou que já teve algumas de suas obras apagadas.A Prefeitura pretende usar ilustrações e desenhos de artistas paulistanos para recuperar áreas públicas degradadas da periferia e do centro. A Emurb informou que pretende acelerar os processos e criar parcerias para que artistas tenham patrocínio para também levar a arte à periferia. POLÊMICAEm julho do ano passado, o grafite da dupla Osgemeos foi apagado, na alça de acesso da Avenida 23 de Maio ao Elevado Costa e Silva, por engano por uma empresa contratada para limpar pichações. Os grafiteiros Nina, Vitché, Herbert Baglione, Nunca e Osgemeos refizeram o trabalho de 680 metros quadros no fim de dezembro, com com o incentivo da Prefeitura e o patrocínio da iniciativa privada.

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