Alfredo Leiva/AP
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Cinza vulcânica suspende voos entre Brasil e pelo menos outros 4 países

Vulcão chileno Peyehue-Caulle entrou em erupção no último sábado e complica tráfego aéreo

Estadão.com.br

07 de junho de 2011 | 12h22

BUENOS AIRES - Por razões de segurança, diversos voos entre os países do Cone Sul estão cancelados nesta terça-feira, 7. Segundo a companhia que administra os aeroportos argentinos, a Aeropuertos 2000, todos os voos entre Brasil e Argentina foram cancelados. A causa é uma nuvem de cinzas do vulcão chileno Peyehue-Caulle, que entrou em erupção no sábado.

 

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A nuvem de cinzas levou TAM e Gol a cancelarem voos que estavam previstos para hoje. A TAM cancelou as partidas e chegadas em Assunção, Montevidéu e Santiago. A empresa também suspendeu uma decolagem que deveria ocorrer às 13h30 do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, com destino a Foz do Iguaçu, no oeste paranaense. A companha informou que foram cancelados 35 voos até as 13h30.

Já na Gol, foram cancelados 19 voos desde a madrugada desta terça. Os voos são provenientes das regiões afetadas pela nuvem de cinzas vulcânicas, que inclui Santiago, Buenos Aires, Córdoba e Rosário, Montevidéu, Assunção e Foz do Iguaçu. A empresa informou que os clientes com viagens marcadas para os próximos dias devem entrar em contato com a companhia para a remarcação dos bilhetes.

Segundo dados da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, foram cancelados 19 voos de partida com destino a Santiago, Buenos Aires, Montevidéu e Lima até as 18h. Outros 7 de chegada também foram cancelados. No mesmo horário, havia quatro voos atrasados e 16 cancelados no aeroporto de Congonhas. Em Guarulhos, havia 10 cancelamentos e 30 atrasos.

 

Reabertura. À tarde, a Administração Nacional de Aviação Civil (Anac) da Argentina informou que parte dos voos que tinha sido suspensa nesta manhã, em razão da nuvem de cinzas, foi retomada. "A partir das 16 horas, no aeroporto metropolitano Jorge Newberry (Aeroparque), as companhias aéreas Aerolíneas Argentina, Austral e LAN Argentina reprogramam suas atividades", disse a nota da Anac distribuída à imprensa.

 

Apesar disso, outras companhias ainda mantêm os voos cancelados. "As empresas Sol e TAM cancelaram a totalidade de seus voos para o dia de hoje, enquanto que a companhia Gol cancelou seu voo vespertino e analisa se fará o mesmo com o noturno", ressaltou a Anac.

 

O aeroporto de Bariloche e de outras cinco cidades da região Sul da Argentina vão permanecer fechados enquanto não houver segurança para os voos, segundo informou nota oficial da Administração Nacional de Aviação Civil (Anac). "Não está prevista a reabertura dos terminais aéreos até que não estejam garantidas as condições de segurança necessárias para operar", disse o comunicado distribuído nesta terça.

 

Além de Bariloche, estão fora de operação os aeroportos de Viedma, Trelew, Chapelco, Esquel e Bahia Blanca. O diretor de Comunicações da Prefeitura de Bariloche, Carlos Hidalgo, disse à Agência Estado que uma equipe de contingência trabalha para limpar o aeroporto e imediações para evitar que as partículas expedidas pelo vulcão penetrem nas turbinas dos aviões, o que poderia provocar problemas operacionais nas aeronaves.

 

Segundo ele, o prefeito Marcelo Cascón espera que toda a cidade esteja pronta para esperar o início da temporada de inverno a partir do dia 21 de junho. "Esperamos entre 40 a 50 mil brasileiros em julho e cerca de 100 mil estudantes argentinos entre julho a outubro", disse ele.

Avanço das cinzas. Uma pequena porção da nuvem de cinza do vulcão já atingiu o extremo sul do Brasil, na região de Uruguaiana. Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na foto de satélite apareceu uma faixa fina da nuvem misturada com a nebulosidade da região.

 

A nuvem teria se deslocado para lá devido aos ventos persistentes na direção noroeste que sopraram na área do vulcão. A faixa ficou por algumas horas no sul do país, mas se desloca aos poucos em direção ao oceano. As chuvas que atingem a região também ajudam a desconfigurar a formação.

 

De acordo com Seluchi, o vento noroeste pode continuar até quinta-feira, portanto há possibilidade de novas passagens da nuvem pelo Brasil. Para a população, porém, o fenômeno deve passar quase despercibido, a não ser por certa alteração na cor do céu. A nuvem passa a cerca de 10 km de altitude e o único impacto possível é em relação ao espaço aéreo. A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que monitora o avanço de nuvem de cinzas e coordena desvios do tráfego aéreo.

 

 

Texto atualizado às 19h30.

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