TARSO SARRAF
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Círio de Nazaré reúne 2 milhões em Belém

Festa da santa conhecida como ‘rainha da Amazônia’ equivale a Natal aos paraenses

Roberta Paraense, Especial para o Estado

14 de outubro de 2018 | 20h09

BELÉM - “Não dá para explicar a emoção de ver a berlinda passar. É uma mistura de amor, fé e devoção à rainha da Amazônia”, diz, emocionado, Osmar Otávio Ribeiro, 76. Há 25 anos, ele é guarda da santa, e, há ao menos meio século, participa do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que, este ano, chegou a 226° edição.

Neste domingo, 14, em Belém, antes de o sol raiar, crianças, jovens e adultos iniciaram a caminhada da fé pelo centro histórico. Às 5h, a Praça Frei Caetano Brandão já estava tomada por um mar de pessoas para a missa campal que dá início à romaria principal da festa. Da Catedral da Sé, parte a imagem peregrina até a Basílica Santuário.

A procissão levou cerca de 2 milhões de fiéis às ruas, segundo estimativa da Diretoria da Festa de Nazaré. Do alto dos prédios, das portas de casas e das repartições, devotos de todos os lugares do mundo prestaram homenagens à padroeira da Amazônia, durante os 3,6 km de percurso da procissão que, tradicionalmente, ocorre no segundo domingo de outubro.

Depois de pouco mais de quatro horas e meia de romaria, a imagem peregrina de Nazaré, em uma berlinda dourada e adornada de flores naturais, com a decoração estilo barroca, entrou na Praça Santuário. O momento levou os fieis às lágrimas. Este ano, pela primeira vez, a santa foi retirada da berlinda, ainda do lado de fora do Centro Arquitetônico de Nazaré (CAN), e conduzida até o altar da Praça, por volta das 11h45.

Com o tema: ‘Uma jovem chamada Maria’, a mensagem do arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, na cerimônia de abertura da procissão, lembrou da relação do paraense com a imagem. “Nascemos sobre a proteção da Virgem Maria, mãe de todos e, no Pará, essa fé é um fio condutor dos católicos", destacou durante a cerimônia. A festa também reuniu pessoas de outras religiões como a umbanda, que prestam homenagem à santa.

A festividade do Círio de Nazaré uma das maiores manifestações cristãs do Brasil. Há quatro anos, o evento recebeu, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o certificado de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. 

O Círio de Nazaré é considerado o Natal dos paraenses. A festa é mais que um símbolo religioso no Estado: é uma congregação de cultura e tradição. Após a chegada da santa à Basílica Santuário, os devotos reúnem as famílias e amigos no tradicional almoço do Círio. Na mesa farta, são servidas comidas típicas como maniçoba e pato no tucupi. À noite, outra programação que faz parte da festa é o Arraial de Nazaré e os shows do Círio Musical, que contam com a presença de artistas da música católica nacional, como o padre Antônio Maria. 

 

Belém vive a quadra Nazarena durante 15 dias, encerrando com o Recírio, onde a imagem peregrina volta ao colégio Gentil, de onde sai apenas em outubro do próximo ano.

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