Ciro assume papel de "pitbull" e inicia ataques a Alckmin

O ex-ministro da Integração Nacional e deputado federal eleito pelo Ceará, Ciro Gomes, fez nesta segunda-feira os mais duros ataques ao candidato à Presidência, Geraldo Alckmin, e integrantes do PSDB e PFL. Ciro chamou a oposição de "lacerdistas sem brilho" e de "essa gente", responsáveis, segundo ele, pelos mais graves escândalos da história republicana do Brasil. Um por um, elencou os principais escândalos do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a formação da organização do Primeiro Comando da Capital (PCC) durante os 12 anos da administração tucana em São Paulo e não esqueceu nem mesmo o episódio dos vestidos doados à esposa de Geraldo Alckmin.Ao contrário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nesta segunda-feira fez elogios à imprensa, Ciro chamou parte dela de facciosa, irresponsável, indecente e alinhada. "O presidente Lula tomou uma estratégia de apresentar o seu governo e fazer uma prestação de contas, mas os seus adversários fizeram essa opção lacerdista, sem o brilho de Carlos Lacerda, de aviltar o debate brasileiro e nisso tiveram o papel coadjuvante de uma parcela interessada da imprensa", afirmou.Após participar da mega-reunião do comando político da campanha, no Palácio da Alvorada, o ex-ministro deixou claro que vai assumir o papel de "pitbull" da campanha de Lula agora no segundo turno. "Nós não ficaremos mais, se depender da minha opinião, sem resposta. Se é assim que é, vamos lá", atacou. Ele reconheceu que essa estratégia pode abafar o debate de idéias, mas afirmou que a "política com calor" revela mais.Sem citar nem uma vez nominalmente o escândalo do dinheiro para a compra do dossiê, Ciro afirmou que o primeiro turno das eleições permitiu que fatos graves, mas que classificou de "adjetivos à questão nacional", tumultuassem a reta final da campanha e mudassem o resultado que as pesquisas indicavam. "Se a discussão ética tomou o relevo que tomou, vamos tratá-la. Não creio que seja ético explorar escândalos que merecem severa apuração e punição para manipular consciências. Se falha houve, não é razoável que o Brasil seja induzido a esquecer que essa gente da coalizão PDSB e PLF são os responsáveis pelos mais graves escândalos impunes da história republicana do Brasil", atacou.Além de citar casos do governo FHC, como a privatização da Telebrás, dos bancos Marka e Fonte Cidam e a compra de votos para a reeleição, Ciro Gomes disse que 60 CPIs foram levantadas na Assembléia Legislativa de São Paulo contra o governo de Geraldo Alckmin. "Ele (Alckmin) é um homem decente. Não consigo imaginar a idéia de aviltar uma discussão só porque sou seu adversário e chamá-lo de pilantra, chefe de quadrilha e gângster, como eles têm ousado chamar o presidente da República, num exagero que o segundo turno vai ter que por um ponto final", disse.Sobre os vestidos dados de presentes a esposa de Alckmin, Lu Alckmin, Ciro disse. "Se as televisões resolvessem escolher isso como tema e comparassem esse assunto coma as roupas rasgadas e os trapos com que a população do sertão do Nordeste ou da favela do Rio de Janeiro vestem, o senhor Alckmin não estaria nem participando do debate."Adotando o mesmo discurso da oposição, o ex-ministro disse ainda temer o risco de a população negar legitimidade a Alckmin, caso eleito. "Se o povo farejar que há uma trama da elite para comover a população com expedientes, que sendo graves não são centrais ao destino da nação, a população talvez negue legitimidade ao que ganhar por esse caminho." Segundo ele, a população deve se vacinar contra esses expedientes e não pode ser levar por escândalos de última hora. "A população deve olhar tudo. As instituições republicanas não podem se pôr nem contra e nem a favor no meio do calendário eleitoral", afirmou.

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