Ciro avisa que não pretende se empenhar pela petista

Promessa é de atuar com afinco só nas campanhas de seu irmão Cid Gomes, da ex-mulher Patrícia Saboya e do tucano Tasso

Eugênia Lopes, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

Prestes a ver o PSB negar-lhe a legenda para disputar a Presidência, o deputado Ciro Gomes (CE) sinalizou que não vai trabalhar ostensivamente pela candidatura da petista Dilma Rousseff à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A correligionários ele avisou que pretende seguir a orientação do PSB - que deverá formalizar o apoio a Dilma em dois dias. Deixou claro, no entanto, que seu empenho na campanha da petista será "muito discreto".

Ciro confidenciou a amigos que pretende viajar para o exterior assim que passar o turbilhão que envolve sua pré-candidatura à Presidência e garante que não será candidato nas eleições de outubro.

O deputado disse ainda que vai se "aquietar" e sair da política "por pelo menos um longo tempo". "Vou escrever, vou ler, olhar para os meus filhos e minha mulher", resumiu.

Dedicação. Ao mesmo tempo em que faz "corpo mole" pela eleição de Dilma, o deputado deixa claro que vai se dedicar intensamente a pelo menos três campanhas eleitorais. A promessa é trabalhar com afinco na reeleição de seu irmão Cid Gomes (PSB) ao governo do Ceará, na eleição da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), sua ex-mulher, para Câmara, e na reeleição de seu padrinho político, o senador tucano Tasso Jereissati (CE).

O comportamento de Ciro no Ceará passou a ser uma das preocupações da campanha de Dilma Rousseff. Há um especial receio do Palácio Planalto em relação ao Estado, local onde o deputado lidera com folga as pesquisas de intenção de voto da corrida presidencial.

Os petistas temem que, em represália à saída de Ciro da disputa pela Presidência, parte expressiva dos cerca de 5 milhões de votos do eleitorado cearense acabe indo para o tucano Serra.

Embora Ciro tenha enviado recados ao Planalto de que não pretende disparar mais sua metralhadora giratória contra Lula e a petista Dilma, o Planalto continua preocupado com os próximos passos do deputado. Afinal, o socialista já preveniu os aliados que vai "espernear" até depois de amanhã, quando o PSB reúne sua Executiva para abortar de vez a candidatura de Ciro.

Sem polêmica. A ordem no PSB e no comando da campanha de Dilma é não polemizar com Ciro. Anteontem, o deputado chegou a dizer que o candidato tucano José Serra é "mais preparado, mais legítimo, mais capaz" para administrar o País em uma eventual crise cambial. A declaração desagradou imensamente ao presidente Lula. Mas a estratégia do governo é não colocar "álcool na fogueira, deixando o processo arrefecer", conforme definiu um aliado.

A tática do governo é tentar reaproximar Lula e Ciro, assim que as feridas forem fechadas. O deputado cearense está muito magoado com o presidente, a quem acusa de ter trabalhado para inviabilizar sua candidatura à Presidência dentro do PSB.

A aliados, Lula confidenciou que está disposto a reatar as relações com o deputado, mas sabe que neste momento a reconciliação é inviável. O presidente sabe que dificilmente Ciro vai se empenhar na eleição de Dilma, mas quer garantir que o deputado não trabalhe contra a petista.

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