Ciro declara apoio tímido a Dilma

Obrigado a desistir da disputa, deputado do PSB não participará do comando da campanha, mas diz que seu entusiasmo pode aumentar com o tempo

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

Sem esconder a falta de entusiasmo com a campanha presidencial, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) formalizou ontem o apoio à candidata do PT, Dilma Rousseff, mas foi cauteloso em relação à sua entrada na equipe dilmista.

Em uma hora e quinze minutos de conversa com Dilma, durante o almoço, Ciro disse que já trabalha por ela "intensamente" no Ceará. Não demonstrou, porém, interesse em participar de comícios fora das fronteiras de seu Estado, ao menos por enquanto.

"Na medida em que as minhas preocupações com o futuro do País forem se incorporando, eu incrementarei o meu entusiasmo e nível de engajamento", avisou o ex-ministro da Integração. Dilma, por sua vez, garantiu que Ciro terá o papel que quiser na campanha e o encheu de elogios.

"Dei a ele absoluta liberdade para fazer o que quiser. Eu o tenho em alta conta", afirmou a candidata do PT. "Ciro é uma pessoa que eu gostaria de ter perto de mim."

Foi o primeiro encontro entre os dois desde que o deputado, pressionado pela cúpula do PSB, teve de desistir da disputa ao Planalto para que Dilma fosse ungida como única candidata da base aliada, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ciro gravará mensagem de apoio à ex-ministra da Casa Civil para o horário eleitoral, que estreia em 17 de agosto, mas não se sabe quando sua imagem aparecerá na propaganda de TV. Coordenador da campanha do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), que é seu irmão, o deputado garantiu que Dilma terá palanque reforçado no Estado.

"Você acha que se chegar lá uma pessoa como a Dilma, de quem sou amigo há tantos anos, companheiro, admirador, eu deixaria de recebê-la?. Em nenhuma circunstância", respondeu o deputado, ao ser questionado se recepcionará Dilma no Ceará.

Na estreia da campanha, quando a candidatura de Ciro agonizava, a petista causou mal-estar no PSB ao visitar Fortaleza, reduto político do deputado.

Apesar de declarar aval a Dilma, Ciro não deixou de dar uma estocada na cúpula do PSB por obrigá-lo a desistir do páreo. "Considero que o meu partido tomou uma posição errada", insistiu. "A democracia perdeu a oportunidade de ampliar o debate, mas, como eu amo a democracia, digo que nela não são as opiniões individuais que devem prevalecer. Deve prevalecer a vontade da maioria." A equipe de Dilma gostaria que Ciro, dono de língua afiada, integrasse o comando da campanha petista. Seria mais um para blindar a candidata e atacar o adversário do PSDB, José Serra. Até agora, no entanto, o deputado não demonstrou disposição para a tarefa.

Mesmo assim, Dilma só dirigiu afagos ao ex-ministro. Sem citar o escândalo do mensalão, ela afirmou que Ciro ajudou muito o governo, sobretudo "ao longo de 2005", quando estourou a crise. "Somos muito parecidos e, da minha parte, não há mágoa", observou Dilma. Indagado se havia saído "diferente" do encontro, ele ironizou: "Não, a minha gravata é a mesma."

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