Ciro prefere assumir futura pasta de aeroportos

Segundo amigos, deputado vê gestão do setor aéreo como chance de mostrar competência, além de deixar Integração Nacional para colega de partido

João Domingos e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2010 | 00h00

O deputado Ciro Gomes (PSB) tende mais a aceitar o futuro Ministério dos Portos e Aeroportos do que a Integração Nacional ou a Saúde, informaram amigos muito próximos a ele. O deputado está fora do País, mas deve retornar nos próximos dias, quando dará uma resposta à presidente eleita, Dilma Rousseff.

Com o início da formação do ministério, o deputado tomou a decisão de viajar para a Europa. De acordo com assessores e amigos, a intenção foi justamente ficar longe do burburinho e das fofocas que envolveriam a formação da equipe de Dilma. A princípio, a ideia de Ciro Gomes era não aceitar nenhum cargo. Mas, ao receber o convite feito pela presidente eleita, o deputado acabou mudando de opinião.

A opção pelo futuro Ministério de Portos e Aeroportos teria dois motivos. Primeiro, porque será uma pasta com muita verba e grande visibilidade internacional até 2014, quando será realizada no País a Copa do Mundo. E Ciro quer se mostrar como um gestor capaz de pôr fim ao risco de caos nos aeroportos brasileiros por qualquer motivo, principalmente nas férias ou em feriados mais longos.

O segundo motivo seria o fato de deixar o Ministério da Integração Nacional livre para ser ocupado pelo ex-deputado Fernando Bezerra Coelho (PSB), que tem como padrinho o governador de Pernambuco e presidente do partido, Eduardo Campos.

Na campanha presidencial, as relações entre Ciro e Eduardo Campos ficaram desgastadas, pois o deputado queria disputar a eleição e foi contido pelo governador pernambucano, que se aliou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ajudou a minar as pretensões do deputado.

Ainda conforme seus amigos, Ciro só lamenta o fato de o programa Cinturão das Águas, que está interligando as bacias hidrográficas cearenses com canais a céu aberto e adutoras, continuar com o Ministério da Integração Nacional. O programa é tocado pelo governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, em parceria com o governo federal e deverá ser concluído até 2014.

Outras pastas. Apesar das queixas do PT, a ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, deve ficar no cargo. Várias alas do partido tentam derrubá-la, alegando que ela não é filiada ao partido. Dilma, no entanto, tem simpatia por Isabela e só vai tirá-la do posto em último caso, se tiver de ceder a vaga para acomodação política na seara petista.

A deputada Iriny Lopes (PT-ES), da corrente Articulação de Esquerda, é a mais cotada para assumir a Secretaria das Mulheres. A possível entrada de Iriny abre caminho para Guilherme Lacerda, ex-presidente da Funcef - o poderoso fundo de pensão da Caixa Econômica Federal (CEF) - assumir uma vaga na Câmara. Ele fez uma das mais caras campanhas do Espírito Santo para deputado federal, mas não se elegeu e ficou com a primeira suplência do PT capixaba.

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