Ciro reclama de 'ameaças' do PT paulista

Deputado diz que nunca buscou parceria com petistas e nega intenção de ser vice na chapa de Dilma Rousseff

Julia Duailibi, André Mascarenhas, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2010 | 00h00

ESTADÃO.COM.BR

Um dia após a divulgação da pesquisa de intenção de voto CNI/Ibope, o deputado Ciro Gomes subiu o tom contra o PT e afirmou não ter "vocação para PC do B". Em entrevista à TV Estadão, o pré-candidato do PSB à Presidência disse temer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atue para constranger seu partido a não lhe conceder a legenda para sua candidatura ao Planalto. "Lula, pela delicadeza com que me trata, não me pedirá jamais para não ser candidato", disse o deputado. Questionado se haveria outra forma de o presidente fazê-lo ficar de fora do pleito, Ciro afirmou: "As outras formas podem ser muito cruéis. Por exemplo, constranger o partido a não me dar legenda."

 videoVeja a íntegra da entrevista com Ciro Gomes

 

O parlamentar deve ter uma reunião com a cúpula do PSB no mês que vem para bater o martelo sobre a candidatura. Lideranças do seu partido defendem apoio à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff ? que na última pesquisa CNI Ibope apareceu a apenas 5 pontos do governador José Serra, virtual candidato do PSDB.

A saída da corrida presidencial não significa embarque na disputa ao governo de São Paulo ? projeto inicial de Lula que está praticamente enterrado. Ciro sempre resistiu à ideia e, nas últimas semanas, o PT consolidou o nome do senador Aloizio Mercadante como postulante. Declarações de Ciro contra o PT paulista azedaram mais a negociação.

"Não tenho vocação de PC do B para ser humilhado, como aliado do PT. Sou parceiro. Me respeita. Agora, na hora que eu quiser dizer que estão errados, vão ouvir. E podem reagir, que também respeito", afirmou ao se referir a "ameaças pelos jornais" de parte do PT paulista. Para petistas, Ciro quer mesmo é ser vice de Dilma, o que ele nega: "Ninguém é candidato a vice".

Questionado sobre a parceria com o PT, praticamente inviabilizada em São Paulo, ele ironizou: "Oh, que pena. Quero dizer com muita seriedade: nunca foi o meu propósito". Completou: "Estou pouco ligando, francamente, engoli as bobagens que o PT falou quando fiz o sacrifício. Não falei nada", afirmou, em relação às declarações da ex-prefeita Marta Suplicy, que ironizou a candidatura Ciro em São Paulo.

"Em 2006, nesta fase, estavam cogitando minha candidatura para governador do Rio. E o PT, como sempre, porque a natureza de escorpião é essa, pela boca de Vladimir Palmeira (petista do Rio), mandava o cacete em mim. Estou acostumado. Agora tem os petistas do Ceará. Conheço eles há vinte anos", declarou.

Ciro afirma não ter um problema com o PT, em geral. "Me dou super bem com Lula e com a maioria esmagadora do PT. Pergunte ao Zé Eduardo Martins Cardozo. Não vai ser mais candidato porque não aguenta mais."

Ele minimizou a pesquisa CNI/Ibope em que está estagnado em 11% da intenção de voto. Defendeu sua permanência no páreo para "politizar" o debate.

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