Cirurgião plástico diz que amante tentou matá-lo

"A Maria apareceu no consultório com uma faca e disse que iria me matar. Ela queria me atingir e eu a desarmei. Daí para a frente não lembro de mais nada. Só lembro que foi na sexta-feira." Essa foi a confissão do cirurgião plástico Farah Jorge Farah, de 53 anos, para justificar o assassinato e esquartejamento da ex-namorada e paciente Maria do Carmo Alves, de 46 anos.Farah foi interrogado durante quatro horas, no 13º Distrito Policial, da Casa Verde, pelo delegado Ítalo Miranda Júnior, na presença do promotor de Justiça, Orides Boiati, e de seus três advogados. "Ele contou sua vida, disse estar com saudades da mãe, falou das ameaças que vinha sofrendo da vítima, confirmou que ambos mantiveram um relacionamento e alegou que Maria não se conformava com a separação", disse o delegado.Todas as vezes que perguntou sobre a motivação do assassinato e o tipo de arma usada, Miranda afirmou que a memória do médico, "que é muito boa", falhou. "E falhou porque foi instruído por seus advogados a mentir e a omitir", afirmou.Recolhido no 13º DP, na mesma cela do pediatra Eugênio Chipkevitch, o médico acusado de molestar crianças em seu consultório, Farah disse ao delegado que conhecia Maria do Carmo havia seis anos. Explicou que ela foi procurá-lo por indicação de um convênio médico para uma cirurgia. "Eu a atendi e acabamos bons amigos."O cirurgião plástico alegou que ao terminar o namoro passou a ser ameaçado por Maria.Ela telefonava para o consultório, para seu apartamento, e dizia que se não "fosse dela ele não seria de mais ninguém." Farah declarou não lembrar que atendeu João Augusto de Lima, marido da vítima, na manhã de sábado.Disse que sua memória voltou na tarde de domingo em seu apartamento quando telefonou para a família e avisou que estava com problemas e iria para a clínica psiquiátrica. Na clínica, contou o crime para a sobrinha Tânia Maria Homsi e entregou as chaves do carro onde estava o corpo de Maria do Carmo e as chaves da clínica e do apartamento.As mãos de Maria do Carmo, seccionadas com bisturi, que não tinham sido encontradas com o restante do corpo nos cinco sacos de lixo que estavam no porta-malas, foram relacionadas pelos legistas no Instituto Médico-Legal (IML). "O assassino cortou os indicadores dos dedos das mãos da vítima para impedir a identificação e fez outros cortes que não permitiram aos peritos, no dia do encontro, saber se eram as mãos", revelou Miranda.O policial afirmou que Farah usou bisturi para cortar o corpo e tirar a pele do peito e do rosto. Esta semana Farah vai voltar para o consultório na Rua Alfredo Pujol, em Santana, para a reconstituição do crime. "Espero que na clínica a memória volte e ele acabe com as mentiras. Teve a coragem de dizer que sua memória apagou às 18 horas de sexta-feira e voltou na tarde de domingo." A Justiça decretou a prisão preventiva de Farah a pedido do promotor Boiati.

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