Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Cisne recebe ração de roedor em São Paulo

Sem ter alimento ideal para dar às aves, funcionários de parques da capital buscam doações; ainda assim, porção caiu à metade

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2013 | 23h53

As aves ornamentais dos parques municipais de São Paulo têm sido alimentadas com ração de camundongo, doada por instituições públicas. Desde outubro do ano passado, a alimentação considerada adequada ao desenvolvimento de cisnes, gansos, patos, marrecos e outras espécies não é ofertada pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. Funcionários chegam a fazer “vaquinha” para que os bichos tenham o que comer.

No Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital, além de inadequada, a ração é fracionada pela metade. Em vez de receber três sacos, de 20 kg cada, por dia, as aves têm direito agora a um saco e meio. Na sexta-feira, havia só 12 disponíveis no estoque. Todos indicados para roedores. Segundo veterinários, o ideal para aves é ração de galinha, oferecida molhada.

No Ibirapuera, a situação é agravada por problemas operacionais. Desde o início do ano, a Kombi utilizada para buscar verduras no Mercado Municipal não está mais disponível. Quando é possível, o carro administrativo do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave) é emprestado para que os funcionários possam fazer a “xepa” na feira. “Folhas de brócolis, beterraba e couve-flor, por exemplo, completam a alimentação das aves de forma saudável”, diz um funcionário, que pede para não ser identificado.

Apenas 13 dos 93 parques de São Paulo têm lagos com aves ornamentais. Ao todo, são 443, espalhadas nos parques da Aclimação, do Carmo e Burle Marx, por exemplo. A estimativa é que precisem de 36 toneladas de ração por ano, ao custo estimado de R$ 60 mil.

Sem ração, salgadinhos, pipoca e pedaços de pão são cada vez mais desejados pelas aves, que deixam os lagos em busca de comida. “Eles não podem ver uma sacola que vêm correndo. São meus camaradas, dou comida a eles na palma da mão”, diz o sorveteiro Cícero Américo dos Santos, de 59 anos.

Basta dar uma volta pelo parque para notar a popularidade das aves, especialmente entre as crianças. Julia Aprile, de 4 anos, pede ao pai para chegar bem pertinho delas. “Estamos sempre aqui, e sempre com comida para dar aos bichos”, diz o professor João Herculano Aprile, de 66 anos. “A Julia gosta, não tem medo.”

Na sexta-feira, pai e filha estavam rodeados de cisnes negros em busca de comida. Perto deles, a analista de sistemas Maíra Ayub, de 33 anos, ajudava a alimentar as aves com salgadinho comprado no próprio parque.

Outro lado. Comandada pelo vereador Ricardo Teixeira (PV), a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente informou que o fornecimento de ração para aves será restabelecido em 15 dias. A pasta ressaltou que a quantidade de ração ofertada hoje atende às necessidades diárias dos animais e é complementada com verduras.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.