Cláudia Trevisan/ESTADAO
Cláudia Trevisan/ESTADAO

Clã Neeleman fica entre EUA e Brasil há 60 anos

Missionários chegaram ao País na década de 1950; família reúne hoje cerca de 80 pessoas

Cláudia Trevisan, Enviada especial a Salt Lake City, Utah

27 Novembro 2016 | 03h00

SALT LAKE CITY, UTAH - “Você voltaria para o Brasil comigo?” foi a primeira pergunta que Gary Neeleman fez à então namorada, Rose Lewis, quando retornou a Utah, depois de servir por dois anos como missionário mórmon no interior do Paraná e Santa Catarina. “Mas você acabou de voltar”, ela respondeu. “Sim, mas ainda não acabei”, justificou ele.

O ano era 1956. Dezoito meses mais tarde, o casal chegava a São Paulo com seu filho de 4 meses, John. Nos dez anos seguintes, Neeleman trabalharia como correspondente da agência de notícias United Press Internacional no Brasil. Nesse período, 3 dos 7 filhos do casal nasceram no Hospital Samaritano, na capital paulista, entre os quais David, dono da empresa de aviação Azul. 

Sessenta e dois anos depois de pisar pela primeira vez no Brasil, Neeleman ainda não terminou sua história com o País. Desde 2001, ele é cônsul honorário do Brasil em Salt Lake City, responsável por atender uma comunidade estimada em 20 mil pessoas nos Estados de Utah, Idaho, Wyoming, Montana e Oeste do Colorado. Nove de seus descendentes foram missionários no Brasil, entre os quais um neto e uma neta que ainda estão servindo em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

Além dos sete filhos, Neeleman e Rose têm 35 netos e 21 bisnetos, a maioria dos quais detentores de cidadania americana e brasileira. Com maridos e mulheres que foram agregados à família, o clã é formado por 80 pessoas.

“Eu gostei do Brasil e gostei dos brasileiros”, disse Neeleman, lembrando sua experiência de meados da década de 1950. Aos 82 anos, ele caminha com ajuda de uma bengala fabricada por outro empreendedor da família, Mark, dono de uma fábrica de produtos de bambu no Brasil. 

Ao lado de Rose, que tem 81 anos, Neeleman fez seis viagens à Amazônia nos últimos anos para entrevistar pessoas e levantar dados para dois dos quatro livros sobre o Brasil que escreveram juntos: Trilhos na Selva, de 2011, e Soldados da Borracha, publicado no ano passado.

O primeiro conta a história fracassada da construção da ferrovia Madeira-Mamoré, no início do século 20, na qual cerca de 10 mil trabalhadores faleceram, vítimas de doença tropicais. O outro fala da história de milhares de seringueiros que morreram na Amazônia durante a Segunda Guerra Mundial para garantir o crucial fornecimento de borracha para as forças aliadas durante o conflito. Em uma das viagens que fizeram à Rondônia para levantar dados para os livros, Rose e Gary passaram uma noite na estrada, quando o carro em que os levava a Jaci-Paraná quebrou. 

Guerra Civil. O mais recente livro do casal, A Migração Confederada ao Brasil, conta a história dos americanos que imigraram para o Brasil no fim do século 19, deixando o Sul dos Estados Unidos, depois da derrota para o Norte na Guerra Civil americana (1861-1865). 

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