Clandestino diz que ''é conhecido'' no aeroporto

Ronildo, um dos motoristas que atuam clandestinamente em Congonhas, abordou o repórter na entrada do desembarque. Sem se identificar, o repórter informou que queria ir ao Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos. Ronildo então conduziu o repórter até o primeiro piso do estacionamento. Pediu R$ 150, mas a reportagem insistiu em R$ 100, alegando não ter garantias de que ele era taxista. O carro de Ronildo, como o da maioria dos clandestinos, não tem identificação visual nem carrega luminoso no teto. Ele mostrou vários documentos, disse que tomaria prejuízo, mas aceitou o valor proposto. Ronildo não estava tendo arroubos de caridade. Caso a reportagem tomasse um dos táxis comuns, gastaria R$ 93. A reportagem embarca na Zafira branca com bancos de couro preto. "Comprei para dar conforto ao cliente", diz Ronildo. O carro é equipado com monitor LCD e DVD portátil. Baiano de Paulo Afonso, veio há 13 anos para São Paulo. Chegou a ter uma padaria, mas perdeu tudo. Um tio o ajudou a entrar para o grupo dos taxistas clandestinos de Congonhas. Nos "bons tempos" - antes do acidente com o vôo 3054 da TAM - chegava a ganhar R$ 12 mil brutos por mês. Sobrava metade. Hoje diz ganhar "apenas" R$ 6 mil, dos quais sobram R$ 3 mil. Em "tempos difíceis" como os atuais, Ronildo faz de tudo para não voltar para Congonhas de mãos vazias. Disse que tentaria recrutar um passageiro em Cumbica. "Mas lá é preciso ser esperto, a fiscalização fica em cima." Em Congonhas, segundo ele, não há esse problema. "A gente é conhecida por todo mundo."

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