Clarín destaca ´retrocesso do PT´ em seu editorial

Os jornais argentinos mantém seus espaços dedicados ao processo eleitoral no Brasil. O Clarín publicou duas páginas sobre o assunto, além de seu principal editorial intitulado: "o inesperado voto brasileiro", no qual marca o "retrocesso do PT", como conseqüência dos fatos recentes "que ocorreram no marco de outros problemas políticos e econômicos mais antigos". O editorial refere-se "às questões vinculadas com formas de fazer política" no país.Nas quatro reportagens publicadas na edição desta terça-feira, o Clarín destaca que "a esquerda põe condições à Lula para apoiá-lo no segundo turno - Heloísa Helena e Cristovam Buarque, ex-dirigentes do PT, obtiveram 10 milhões de votos entre ambos, e exigem que não se privatize a Petrobrás, o Banco do Brasil e que se respeitem os direitos trabalhistas".Clarín publica ainda as repercussões das eleições na Bolsa de São Paulo e em Washington, além da preocupação com o Mercosul com uma vitória de Alckmin."Brasil: os riscos da polarização". Esse é o título do texto escrito pelo professor da Universidade de Campinas, Mariano Lapiane, na coluna Debate, do Clarín. Segundo ele, "o resultado das eleições de domingo abre um capítulo dramático na história da democracia brasileira moderna".Lapiane afirma que uma vitória de Lula "no domingo não teria significado o ponto final da crise política que se arrasta há meses, mas poderia ter representado uma oportunidade para conter o furor dos embates e canalizá-lo de forma mais construtiva, em benefício das instituições democráticas". Agora, segundo ele, o novo round de disputa política aberta tem um "custo potencialmente alto e de longo prazo".O La Nación destaca a "feroz corrida" dos dois candidatos para conseguir apoios e a confirmação do presidente Lula na participação dos três debates programados. Na coluna de opinião, o analista político do La Nación, Joaquín Morales Solá, afirma que "o drama de Lula é uma lição para Kirchner", quem ainda não definiu se será o candidato à reeleição em outubro de 2007, ou se coloca a mulher dele, a senadora Cristina de Kirchner. Hoje as pesquisas de opiniões são unânimes ao apontar que ambos são imbatíveis.Solá recorda que "o presidente Lula é um velho amigo da Argentina, que não concebe a política exterior de seu país sem uma forte aliança com Buenos Aires. Muitas vezes, inclusive, deveu recorrer à suas grandes doses de paciência para não terminar inimigo do mal gênio de seu colega Néstor Kirchner".Agora, continua, sem intenção, "fez um favor à Argentina, quando comprovou dramaticamente que a política nunca é estática e que até os melhores pesquisadores podem equivocar-se", num paralelo com a confiança que Kirchner tem de vencer as eleições no próximo ano, devido ao seu favoritismo nas pesquisas.

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