Clientes e empresários temem fim da boemia

Turista não conseguiu aproveitar noitada; dono de bar quer bolsões para lazer

Humberto Maia Junior, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

O australiano Gregory Lovell, de 24 anos, ficou com uma imagem ruim de São Paulo. Sua amiga, a advogada Juliana de Lima Letra, de 28 anos, tinha lhe falado maravilhas sobre a Vila Madalena. ''''Falei que era um local muito bom, muito animado.'''' Pena que ele mal pôde participar dessa animação toda.Juliana, Gregory e mais dois amigos chegaram à Vila Madalena no sábado, dia 10, por volta das 23h15. Foram direto para a o cruzamento das Ruas Aspicuelta e Mourato Coelho, um dos pontos mais animados do bairro. Seguiram para um dos bares, mas não conseguiram entrar. ''''Disseram que estava lotado e não adiantava colocar o nome na lista de espera. Mesmo que houvesse mesas vagas, ninguém entraria.''''A situação foi se repetindo de porta em porta, durante meia hora, até conseguirem uma mesa. ''''Mas o local estava com as portas fechadas, tivemos de bater e só nos deixaram entrar porque estávamos num grupo pequeno.'''' Foi aí que Juliana ficou sabendo o motivo da dificuldade: com medo dos fiscais da Prefeitura, os bares estavam fechando mais cedo e recusando clientes. ''''Foi desagradável e fiquei muito sem graça. Tive de explicar para o Greg, que ficou surpreso e não entendia nada.''''Para Ronen Altman, sócio dos bares Filial, Genésio e Genial - três dos mais populares de São Paulo -, o Psiu está acabando com a noite e com a vocação de bairro boêmio da Vila Madalena. Ele garante que a opinião não é motivada por perda de receita. Os bares vão muito bem, apesar de fecharem mais cedo. A reclamação é pela obrigatoriedade de se retirar mesas das calçadas após um determinado horário. ''''Sem elas, as ruas ficam muito tristes. As mesas fazem parte da decoração do local.''''Altman, porém, diz ser justo que o direito de as pessoas descansar seja respeitado. A missão da Prefeitura é intermediar o conflito e buscar a solução. Ele sugere a criação de locais específicos para o lazer, longe das residências. Hoje, poucas casas noturnas funcionam sem o risco de serem importunadas pelos fiscais do Psiu. Entre elas estão o Pacha, na Vila Leopoldina, e o D-Edge, na Barra Funda - que não têm nenhuma residência na área próxima. ''''Em várias cidades do mundo, existem ruas boêmias que não atrapalham ninguém. Por que o nosso Plano Diretor não prevê algo assim?''''

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.