REUTERS/Nacho Doce
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Clima de tensão se mantém na fronteira, em Pacaraima

Neste domingo, houve carreata pela paz, mas revolta da população é clara; OAB sugere que Estados dividam responsabilidade

Tarsira Rodrigues, Especial para o Estado

20 Agosto 2018 | 09h08

PACARAIMA - O clima de tensão em Pacaraima se mantém. A fronteira continua aberta, porém a população local responsabiliza os venezuelanos, mesmo que indiretamente, pela insegurança. Neste domingo, 19, Vanderbegue Ribeiro, um dos manifestantes que chegaram a fechar vias no sábado, participou com outros brasileiros de uma “carreata da paz”. O comércio fechou. Eles exigiram das autoridades o controle de entrada dos venezuelanos. “Queremos apoio do governo, tanto federal quanto estadual.”

Na Rua Suapi, uma das principais do município, o trabalhador autônomo e morador da fronteira Ari Silva afirmou que a revolta do fim de semana ocorre ainda pela intensa movimentação do tráfico de drogas na localidade. “Não estamos revoltados com os imigrantes, mas com a criminalidade que essa desorganização social trouxe à nossa cidade.” Outros falam em superlotação de serviços de saúde e em abandono pelos governos local e federal. 

OAB

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, que esteve em Roraima na semana passada, também relatou o clima de revolta na fronteira. Ele defendeu que todos os Estados brasileiros devem dividir a responsabilidade para preservar moradores de Roraima e imigrantes venezuelanos, “antes que aconteça uma tragédia”. “A população de Roraima está se revoltando porque a criminalidade está crescendo e o Estado não tem recurso. O que era uma questão humanitária agora tem forte conotação de segurança.” /COLABORARAM RICARDO GALHARDO, ANA PAULA NIEDERAUER e CYNEIDA CORREIA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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