Clima fará 200 milhões de refugiados ambientais, diz estudo

Para estudioso, até 2050, algumas cidades do mundo terão secas muito prolongadas ou o nível do mar alto

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2008 | 16h33

Um estudo da Universidade de Oxford, na Inglaterra, alerta que 200 milhões de pessoas em todo o mundo poderão ter de abandonar suas cidades até meados do século por causa de chuvas, tempestades e outros desastres naturais. O fenômeno registrado em Santa Catarina seria um desses exemplos de desastres naturais que estariam ganhando novas proporções e ocorrendo de forma cada vez mais freqüentes. Veja também:Saiba como ajudar as vítimas da chuvaIML divulga lista de vítimas identificadas SC pode ter mais chuva e deslizamentosDefesa Civil foca esforços no Morro do BaúSC tem nove rodovias totalmente interditadasMassa doa macacão em prol das vítimas R$ 60 mi deverão recuperar energia em SCMulher fala da perda de parentes em SC Tragédia em Santa Catarina Blog: envie seu relato sobre as chuvas Blog Ilha do sem Blumenau Blog Desabrigados Itajaí Blog Arca de Noé Veja galeria de fotos dos estragos em SC  Tudo sobre as vítimas das chuvas   Esses desastres estariam ficando cada vez mais freqüentes por causa das mudanças climáticas, fato que foi confirmado no ano passado pelos estudos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Norman Myers, autor do estudo da Oxford, aponta que a fuga dessas 200 milhões de pessoas também seria gerada por secas prolongadas em outras regiões do planeta e mesmo pelo aumento dos níveis do mar. Na prática, isso significaria que 2% da população mundial até 2050 teria já passado pela experiência de perder sua casa por causa de um desastre natural ou ter de abandonar sua terra simplesmente por ele ter se transformado em uma zona semi-árida. As estimativas ainda apontam que o número de "refugiados ambientais" se multiplicará por dez em apenas 50 anos. No final dos anos 90, as estimativas da Oxford era de que existiam 25 milhões de pessoas que saíram de suas regiões por problemas climáticos. A região de Santa Catarina já entrou para o mapa das zonas consideradas como passíveis de desastres naturais pela Organização Meteorológica Mundial. Isso ocorreu depois do furacão que atingiu a região em 2004. Naquele ano, o Estado brasileiro foi incluído em um mapa utilizado pela agência internacional para demonstrar que o número de eventos meteorológicos extremos estava aumentando em todo o planeta. Apesar disso, a porta-voz da ONU para desastres humanitários, Elisabeth Byrs, confirmou ao Estado que o Brasil não pediu ajuda internacional para lidar com a crise.

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