Clima interno na procuradoria é de conflagração

Clima interno na procuradoria é de conflagração

Nas palavras de integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), existe um "silêncio ensurdecedor" sobre as denúncias feitas por Durval Barbosa, pivô do escândalo de corrupção no Distrito Federal, contra o procurador-geral do DF, Leonardo Bandarra.

Bastidores: Felipe Recondo e Leandro Colon, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2010 | 00h00

Por um lado, a corregedoria do Ministério Público diz não haver indícios da participação de Bandarra no esquema de corrupção no governo de José Roberto Arruda. Em cima disso, vem protelando as investigações contra o chefe do MP.

Por outro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) dá sinais de que está investigando a denúncia de Durval Barbosa. A apuração é mantida sob sigilo, o que mantém a dúvida sobre as acusações que pesam sobre Bandarra.

As incertezas em torno desse caso e as suspeitas de que as investigações não seriam conduzidas de forma isenta afetam até os procuradores. São as conversas internas, na troca de e-mails, que mostram isso. "Eu não sou a corregedora. Se fosse, por certo já teria instaurado um procedimento para apurar a conduta funcional de Leonardo Bandarra", afirmou a procuradora Suzana de Toledo Barros em e-mail encaminhado a colegas em janeiro, logo depois de a corregedora, Lenir de Azevedo, dizer não haver razões para investigar o procurador-geral.

Contribuem para esse clima conflagrado no Ministério Público do DF as disputas entre grupos políticos. "Existe um clima de instabilidade geral", comentou Ivaldo Lemos Junior, um dos procuradores que assinaram o acordo com o governo do Distrito Federal para que o contrato de recolhimento de lixo fosse prorrogado sem licitação.

Prova disso foi a breve discussão ontem no CNMP sobre o processo de Bandarra. Assim que o assunto começou a ser discutido, a conselheira Cláudia Chagas pediu cautela ao tratarem do assunto e disse que o conselho poderia estar sendo envolvido em disputas internas.

Antes que terminasse de falar, outro conselheiro, Almino Afonso, sugeriu que Cláudia Chagas poderia ser integrante do grupo de Bandarra e recomendou que quem se sentisse afetado se declarasse impedido de discutir o assunto.

Todo esse clima levou integrantes do governo a dizer que, se fosse adiante o pedido de intervenção no Distrito Federal feito pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o Ministério Público deveria também ser atingido, com a saída de Bandarra do cargo.

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