Clínicas de bronzeamento terão de alertar clientes sobre riscos em SP

Alerta para quem procura bronzeamento artificial: o procedimento pode causar câncer de pele. São Paulo é a primeira capital do País a obrigar que as clínicas alertem seus clientes sobre o perigo dos raios ultravioletas das câmaras.Em decreto publicado nesta sexta-feira, no Diário Oficial, a prefeita Marta Suplicy (PT) obriga as clínicas a esclarecer os usuários. O decreto regulamenta a Lei 13.189, que trata do assunto. Além disso, os estabelecimentos deverão distribuir material com informações sobre o câncer de pele.Os informativos deverão conter dados sobre os riscos de desenvolver a doença, em decorrência da exposição aos raios ultravioletas. A multa aos infratores é de R$ 1.128,00. Especialistas consideram a medida municipal um avanço. Muitas pessoas que procuram bronzeamento artificial acreditam que os tipos de raios emitidos não oferecem o mesmo risco do sol.É um engano. "Estudos mostram que os raios das câmaras artificiais facilitam o desenvolvimento do tipo mais grave de câncer de pele", explica Ivan Oliveira Santos, coordenador do setor de tumores do Departamento de Cirurgia Plástica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "O dano não é imediato, mas aparece em alguns anos", completa Rogério Izar Neves, chefe do Departamento de Oncologia Cutânea do Hospital do Câncer A.C.Camargo.Além de câncer de pele, o bronzeamento artificial pode provocar lesões na córnea, levando até à cegueira. "Quem usa algum tipo de remédio pode ter uma fotossensibilização", diz Neves. "O resultado vai desde manchas na pele até reações parecidas com urticária."Os raios do bronzeamento artificial penetram de forma mais profunda. Por isso também são responsáveis pelo envelhecimento precoce da pele. Quem exagera no banho de sol recebe um aviso: à noite, a pele fica vermelha. Já no bronzeamento artificial, a pele escurece sem ficar vermelha, mesmo se houve exagero. "A pessoa perde a sinalização do abuso da exposição", afirma Santos.Em outubro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicará uma portaria com várias exigências a serem seguidas por clínicas de bronzeamento artificial de todo o País. "Qualquer cabeleireiro na periferia da cidade faz bronzeamento a baixo custo, sem informar a clientela sobre os riscos", denuncia Neves. Os médicos desaconselham o bronzeamento artificial.Na Espanha, um decreto federal aprovado nesta sexta proíbe que menores de 18 anos façam o bronzeamento artificial. O governo espanhol justifica a decisão com base nos riscos dos raios ultravioletas usados nas câmaras para a pele e os olhos. A medida espanhola também desaconselha que o bronzeamento artificial seja feito por mulheres grávidas.

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