Clínicas odontológicas são interditadas por falta de higiene

Em dois meses de fiscalização, a Vigilância Sanitária fechou em Taubaté, no Vale do Paraíba, cinco clínicas odontológicas que funcionavam sem condições adequadas de higiene e sem licença junto ao Conselho Regional de Odontologia (CRO). Na última terça-feira, Arnóbio Maia Bandeira, de 22 anos, foi preso em flagrante, quando atendia pessoas em uma clínica no centro da cidade. O acusado foi liberado depois de prestar depoimento, tendo sido indiciado por exercício ilegal da profissão. A clínica pertencia ao dentista Benedito Gouveia Filho e, segundo o CRO, estava em processo de regularização junto ao órgão. "Eles ainda não tinham licença para atuar". Apesar da falta do alvará de funcionamento, o que mais chamou a atenção da Vigilância Sanitária foram as péssimas condições de higiene do local. No consultório, onde trabalhavam quatro pessoas - dois dentistas, um auxiliar e um falso dentista -, foram encontrados material cirúrgico com prazo de validade vencido, instrumentos sem esterilização, luvas e recipientes sujos e ainda peças enferrujadas. O local foi lacrado.Em todos os consultórios fechados era mantida a prática de preços populares. A Vigilância decidiu iniciar a fiscalização depois de receber denúncias sobre condições de trabalho dos dentistas e dos preços reduzidos praticados nas clínicas. No centro da cidade é possível verificar com facilidade panfletagem de propagandas sobre serviços odontológicos, como extrações e restaurações, que variam de R$ 4,00 a R$ 10,00. Em média, o preço normal praticado pelos dentistas é de R$ 30,00 a restauração e R$ 50,00 a extração. "O que chamou a atenção foram os preços anunciados em panfletos", afirmou o fiscal da Vigilância Sanitária, Renato Rodrigues Mendes. Segundo ele, a fiscalização vai continuar por tempo indeterminado. "Precisamos que a população nos ajude a fiscalizar".O delegado da seccional do CRO de Taubaté, Luiz Antonio Gobbo, informou que os profissionais envolvidos no flagrante terão que responder a processo ético junto ao Conselho, que pode resultar em punições como advertência ou até cassação do profissional. Segundo o dentista, a falta de esterilização pode causar doenças crônicas como Aids, hepatite ou herpes. "Pode custar a vida do paciente". Segundo o delegado, a população tem que se conscientizar de que o preço mais baixo não significa qualidade no atendimento. "Quem não tem condições de pagar deve procurar o serviço público, que é de ótima qualidade, e não se arriscar neste tipo de clínica".

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