Clube alugado para os cultos é multado 3 vezes pela Prefeitura

Local na Avenida Paulista não mostrou alvará de funcionamento; fiéis lotaram evento da noite

Fabiana Marchezi, Vitor Hugo Brandalise e Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2009 | 00h00

O Club Homs, localizado na Avenida Paulista, recebeu ontem três notificações de multa no valor de R$ 1,8 mil cada uma por realizar os cultos da Igreja Renascer antes de apresentar alvará de funcionamento para a Prefeitura de São Paulo. De acordo com a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, na sexta-feira, assim que a Subprefeitura de Pinheiros foi informada de que os cultos da Igreja aconteceriam no local, uma agente vistora foi ao estabelecimento e pediu a documentação. Como os responsáveis pelo clube não apresentaram o alvará, receberam uma notificação de multa no valor de R$ 34,5 mil e uma intimação para apresentarem o documento no prazo de cinco dias.Neste período, o clube estava proibido de fazer qualquer tipo de evento até a entrega do documento. Anteontem, porém, o estabelecimento autorizou a celebração de um casamento e foi notificado em R$ 1.800. Segundo a secretaria, ontem, às 15 horas, um agente vistor voltou ao local e confirmou mais três cultos da Igreja Renascer - às 15, 17 e 19 horas -, que resultaram em mais três notificações de R$ 1.800 cada uma. Os dois cultos da Renascer que ocorreram pela manhã não foram notificados.BISPOSO casal Sonia e Estevam Hernandes, fundadores da Igreja Renascer, disseram ontem, em culto realizado pela manhã no Club Homs, que sua religião, depois do desabamento do teto de sua sede mundial, que deixou nove mortos na semana passada, está sofrendo "severa perseguição, principalmente do poder público", numa "guerra que deixou o plano espiritual e veio para o material". "Em breve a Igreja vai apresentar seu parecer sobre o acidente, sobre tudo o que está acontecendo", disse Estevam aos fiéis, em teleconferência a partir de Miami, onde o casal cumpre prisão domiciliar por conspiração e contrabando. "Vamos reconstruir nossa família, afastá-la de Satanás, com a ajuda de todos", completou Sonia.Mais de 900 pessoas compareceram aos dois cultos da manhã: 260 fiéis no culto das 8 horas, outros 674 na celebração das 10 horas, segundo a diretoria do Club Homs. O culto das 16 horas atraiu cerca de 400 fiéis, a maioria composta por jovens. O número aumentou no culto das 17 horas para mais de 700 pessoas. E no culto das 19 horas, todo o salão ficou ocupado e a estimativa era de que mais de 1,2 mil fiéis assistiram à celebração. Muitas pessoas ficaram do lado de fora e diáconos da Igreja tentaram colocar um telão no andar inferior, mas não conseguiram.Toda a celebração - do pronunciamento do casal Hernandes ao sermão do deputado estadual bispo José Bruno (DEM), que presidiu o culto - foi marcada por referências à "perseguição" contra a Igreja após a tragédia. "Tentaram impedir nossos cultos. O Club Homs nunca foi multado e a partir do momento que anunciamos nosso culto aqui, ele recebeu quatro multas", disse Estevam. O bispo José Bruno pediu aos fiéis que verifiquem se os estabelecimentos comerciais da cidade têm alvará. "Anotem o endereço e o telefone e liguem para as subprefeituras. Denunciem mesmo. Vamos ver se é uma perseguição contra a Renascer", afirmou. "Vistoriar todos os templos da Renascer é um comportamento abusivo da Prefeitura. Se vão fazer uma cruzada contra estabelecimentos irregulares, que façam em todos os lugares. Não somente em nossa Igreja. Todos os estabelecimentos no Brasil usam telha de amianto", disse. Ele citou a matéria publicada pelo Estado no começo do mês que mostrava que 90% dos estabelecimentos comerciais da cidade estavam em situação irregular. O bispo Estevam disse ainda que pagou R$ 450 mil para a empresa de engenharia demolir a parede lateral da Igreja e que também está pagando a estadia em hotel para os vizinhos que tiveram suas casas interditadas. "Só que essas atribuições eram de responsabilidade da Defesa Civil", defendeu. Estevam garantiu que já começou a reconstrução da sede mundial da Renascer no mesmo local em que ficava o templo cujo teto desabou, na Avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci. E pediu ajuda financeira aos fiéis. "Hoje é a oferta mais importante da sua vida."

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