CNBB começa a fazer projeções sobre reeleição de Lula

Depois de fazer ao longo dos últimos dois anos duras críticas ao governo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) baixou o tom e já começa a fazer projeções sobre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A entidade classificou um eventual segundo mandato como "uma prova de fogo" para o presidente. E completou: seria a oportunidade para ele provar sua vontade política de democratizar a sociedade brasileira."No primeiro mandato, muitas das promessas do Lula não foram concretizadas. Num segundo mandato, ele teria possibilidade de levá-las adiante", defendeu o secretário-geral da CNBB, d. Odilo Scherer. "Não é com um toque de mágica que ele resolve as coisas. Embora haja maior número de programas de distribuição de renda, por exemplo, ainda é pouco diante do que o Brasil precisa e deseja. É claro, num segundo mandado há maior possibilidade de ele continuar e aprofundar os programas."Questionado se outros candidatos não poderiam levar em frente tal tarefa, d. Odilo rebateu: "Mas outros candidatos ainda tem de mostrar que eles são capazes de fazer também." O vice-presidente da CNBB, d. Antonio Celso de Queirós, também demonstrou tolerância e engajamento velado. Ele admitiu que o programa apresentado pelo PT na campanha anterior era o que mais se encaixava com as expectativas da CNBB. "Lula se apresentou como o candidato que ia resolver todos esses problemas. Nós sabemos que não existe uma pessoa que vá resolver tudo", ponderou.D. Antonio argumentou ainda que a situação enfrentada pelo Brasil é fruto de problemas históricos e que não acabam em pouco tempo. Ele lastimou o fato de as denúncias de corrupção terem surgido somente agora, num período pré-eleitoral, e defendeu a necessidade de investigações sérias. "Não é porque um político foi citado que ele está envolvido". Ele admitiu, porém, que o sistema existe e não é de hoje. "Infelizmente faz parte da cultura do político brasileiro", disse.

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