CNBB critica ''mensalão do DEM''

Escândalo lança descrédito sobre a própria democracia, diz d. Geraldo

Rafael Moraes Moura, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Geraldo Lyrio Rocha, disse ontem que as cenas e episódios do chamado "mensalão do DEM" expõem a fragilidade do sistema político nacional.

"Um descrédito da classe política gera também um descrédito com relação à democracia. A crise vivida no Distrito Federal nos faz um apelo à urgência de uma reforma em profundidade, para que situações como essa não se repitam", disse. "Se nós tivéssemos alcançado os objetivos que desejamos de uma reforma política, que fosse a fundo, essas situações seriam certamente evitadas."

D. Geraldo afirmou ver "com muita esperança" a proposta de iniciativa popular "ficha limpa", que proíbe a candidatura de pessoas condenadas pela Justiça. "O ponto que se chegou já nos traz muita satisfação, mesmo que tenha havido alguma modificação no texto original", comentou, referindo-se ao fato de o projeto passar a valer só para condenações decididas por colegiado. "Na substância estão sendo atingidos os objetivos propostos e nós esperamos que essa proposta seja de fato aprovada para que possa ainda vigorar neste ano."

Indagado sobre a posição da CNBB quanto a possível intervenção no DF, o religioso disse que o tema exige reflexão "muito serena, profunda" e precisa ser pensado "por quem tem mais condição de fazer uma avaliação em profundidade".

A respeito da presença de duas mulheres (Marina Silva e Dilma Rousseff) na corrida presidencial deste ano, d. Geraldo afirmou que o "papel da mulher precisa ser recuperado e ampliado em todas as frentes, todos os espaços".

Ontem, a instituição apresentou um documento que trata da reforma política no País. Intitulado Por uma reforma do Estado com participação democrática, o texto aponta soluções para a crise brasileira por meio da democracia participativa e de uma reforma das estruturas do poder.

O documento sobre reforma política trata da revisão do modelo econômico brasileiro - "concentrador e excludente", nas palavras do presidente da CNBB -, ressalta a importância da ética no trabalho do agente político e defende a participação ativa dos cidadãos no processo democrático, por meio, por exemplo, de plebiscitos, conselhos paritários e acompanhamento da execução orçamentária.

"A participação do cidadão em uma sociedade democrática não se esgota no exercício do voto", observou D. Geraldo.

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