CNBB defende uso das Forças Armadas em São Paulo

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Geraldo Majella Agnelo, defendeu nesta quinta-feira, 24, a participação das Forças Armadas na luta contra o crime organizado em São Paulo. Dom Agnelo considera que o auxílio, em caráter subsidiário, seria uma atribuição normal do Exército. O vice-presidente da CNBB, d. Antonio Celso de Queirós concorda: "A gente sempre pensa em soldado prendendo criminoso nas ruas. Mas há outras maneiras das Forças Armadas colaborarem. Todo serviço de inteligência, por exemplo." Para d. Queirós, seria possível também o Exército participar do policiamento preventivo nas cercanias dos presídios. Dom Odilo Scherer, secretário-geral da CNBB, no entanto, não apresenta a convicção dos companheiros. "Qual seria a função das Forças Armadas? O problema não é pôr o Exército nas ruas. O problema é outro", afirmou. Ele lembrou ainda que crime organizado não ocorre apenas no Estado de São Paulo, mas em outros locais do País.As declarações foram dadas durante o lançamento da Nota contra violência em favor da paz, um documento preparado pela CNBB com sugestões sobre como enfrentar o crime organizado. Entre as ações consideradas essenciais pela CNBB está a superação da cultura da impunidade "que produz revolta e injustiça desabonadoras para o Estado e a Sociedade, enfraquecendo suas instituições." D. Odilo Scherer afirma que a punição de políticos envolvidos em escândalos recentemente descobertos, como mensaleiros e sanguessugas, seria extremamente útil neste processo. "O bom exemplo vem de cima. Se quem prevarica, comete crimes contra o patrimônio, faz mau uso dos poderes conferidos pela sociedade não sofre nenhuma conseqüência, acaba fazendo com que o cidadão também pense que com ele nada vai acontecer também", afirmou. "A responsabilização dos envolvidos é importante também para superar a pretensão da impunidade que é um pouquinho reinante no País". A entidade defendeu uma solução urgente para a superlotação dos presídios. Entre as medidas sugeridas está a garantia desassistência judiciária gratuita, o que permitiria a liberação de pessoas que já cumpriram a pena determinada na Justiça que continuam presas. A CNBB enfatizou ainda a necessidade de reformular órgãos de segurança, oferecendo melhor condição de serviço aos agentes, o combate à miséria, a fome e a marginalização.

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