CNBB escolhe nova direção nesta segunda

Nome mais cotado para presidente é do arcebispo d. Sérgio da Rocha; d. Raymundo Damasceno Assis disse não querer ser reeleito

José Maria Mayrink - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

20 de abril de 2015 | 07h29

APARECIDA - A Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) inicia nesta segunda, 20, a votação para escolha da nova direção - presidente, vice-presidente  e secretário geral - para um mandato de quatro anos, de 2015 a 2019, além dos presidentes do Conselho Episcopal Pastoral, formado pelas  comissões responsáveis por 12 linhas de ação do episcopado.

O nome mais cotado para presidente é o do arcebispo de Brasília, d. Sérgio da Rocha, que substituiria o cardeal d. Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, que não gostaria de ser reeleito, conforme anunciou, por estar com 78 anos de idade e já ter apresentado ao papa, ainda Bento XVI, seu pedido de renúncia ao governo da arquidiocese. Duas alternativas para a presidência, no caso de se optar por outro nome, seriam os cardeais d. Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, e d. Odilo Scherer, de São Paulo.

Para a vice-presidência, vem sendo apontado d. Murilo Krieger, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil. De perfil mais conservador do que d. Sérgio da Rocha, ele serviria de contrapeso na CNBB, contribuindo para manutenção da unidade que a cúpula cultivou nos últimos quatro anos. Divergências existem no plano pastoral, mas limitadas às dioceses, onde cada bispo tem autonomia para trabalhar no seu estilo.

No âmbito político, por exemplo, a análise da crise que o País enfrenta divide os bispos.  Embora a CNBB tenha uma posição moderada, refletindo sobre os problemas sem se envolver em manifestações, houve quem saísse às ruas para aderir aos protestos. O arcebispo de João Pessoa, d. Aldo Pagotto, desfilou vestido com bandeira do Brasil, mas não pediu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. 

Em reunião privativa (fechada) com o anúncio apostólico, d. Giovanni D'Aniello,  na manhã de sexta-feira, um bispo perguntou se a Igreja devia participar diretamente da política. O núncio respondeu que a Igreja não deve ter partido, embora o episcopado deva acompanhar os acontecimentos e, se necessário, pronunciar-se sobre eles. Esta tem sido a orientação do Vaticano há décadas, mas a dúvida surge da suposição de que o estilo do papa Francisco possa traçar novos rumos de ação.

Os apoiadores da indicação de d. Sérgio argumentam que, por sua percepção dos problemas, contato com o povo e capacidade de diálogo, ele será capaz de levar ao governo federal as preocupações e sugestões da CNBB. O fato de residir em Brasília também facilitaria contatos com as autoridades. Os últimos presidentes da entidade moraram fora - d. Geraldo Lyrio Rocha, em Mariana (MG) e d. Damasceno,  em Aparecida. Isso demonstra que d. Orani ou d. Odilo poderia ser eleito, apesar do desconforto de viajar com frequência a Brasília. 

Mais importante é a permanência do secretário geral na sede da CNBB. Quem ocupa esse cargo é o executivo que, de fato, administra a entidade, em contato constante com os bispos e tendo a necessidade de fazer viagens às dioceses ou ao exterior. Por isso, o nome mais falado  para exercer essa função é o do atual secretário, d. Leonardo Steiner. Ele era bispo prelado de São Felix (MT), onde sucedeu a d. Pedro Casaldáliga, e foi transferido para Brasília, como bispo auxiliar, ao ser eleito secretário em 2011.

O reitor da PUC-Minas, d. Joaquim Mol Guimarães , bispo auxiliar de Belo Horizonte, aparece como opção para a secretaria geral, se d. Leonardo não quiser continuar (ele quer ou aceita ser reeleito).  O problema é a resistência de seu arcebispo, d.Walmor Oliveira de Azevedo, que não abriria mão dele. "D. Mol é livre para aceitar ser o secretário da CNBB e eu não me oponho à sua eleição, porque sei que ele não quer", disse a amigos o baiano d. Walmor, buscando uma saída mineira para negar, confirmando, sua oposição.

Os bispos utilizarão 15 urnas eletrônicas para a eleição. Eles dizem que não fazem propaganda eleitoral, mas discutem nos bastidores as suas preferências. Antes do início da votação, serão exibidos em painéis as chapas sugeridas pelos setores regionais da CNBB. D. Damasceno acredita que, na tarde desta segunda, poderá ser eleita a nova presidência, "a não ser que haja um acidente de percurso".

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