CNBB fará documento de alerta sobre tráfico humano

O setor de Mobilidade Humana da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se prepara para lançar em setembro, no 3º Encontro Nacional das Pastorais de Mobilidade Humana, em Brasília, um documento sobre a geografia da migração e imigração, e orientações práticas a paróquias, padres, bispos e dioceses sobre o problema. De acordo com o arcebispo de Botucatu, d. Maurício Grotto de Camargo, responsável pelo setor na CNBB, uma das principais preocupações do grupo que estuda a mobilidade humana é o tráfico de pessoas. "É um negócio ilícito assim como o tráfico de drogas e o tráfico de armas. O tráfico de pessoas é o terceiro negócio ilícito do mundo (em movimentação de dinheiro). E, infelizmente, o Brasil participa ativamente disso", afirmou o bispo ontem, em Indaiatuba, onde 330 bispos estão reunidos na 47ª Assembleia-Geral da CNBB. O documento não terá denúncias, informou d. Maurício. "Será mais um instrumento de trabalho para nossas igrejas", disse. De acordo com o responsável pelo setor de Mobilidade Humana na CNBB, a crise econômica mundial abriu oportunidades para transações ilícitas baseadas na necessidade de sobrevivência. "Sem dúvida que a crise tem esse lado, prejudica muita gente e abre oportunidade, sobretudo, para o negócio ilícito, porque acaba tendo desdobramento em outras áreas", disse. "Uma das causas do tráfico de pessoas é justamente a pobreza. Pessoas desesperadas são facilmente enganadas por propostas com as quais, não sendo nem mesmo muito mirabolantes, já se deixam iludir e enganar", afirmou d. Maurício. A crise mundial foi tema da mensagem oficial da CNBB, divulgada na noite de terça-feira. Ontem, o arcebispo de São Luís do Maranhão, d. José Belisário da Silva, reforçou que, a rigor, a crise é negativa, mas pode ser uma oportunidade de mudança em direção a uma nova ordem econômica. "Neste ano, o 1º de Maio ocorre no contexto dessa crise, que se mostra cruel ao atingir a todos nós, mas, sobretudo, os trabalhadores, os mais pobres e as pequenas e médias empresas", disse d. José Belisário. A 47ª Assembleia-Geral da CNBB termina amanhã.

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