DIDA SAMPAIO/AE
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CNBB libera bispos para fazer debate do aborto

Segundo secretário-geral da entidade, d. Dimas Lara Barbosa, eles têm 'o direito e o dever de orientar seus fiéis sobre temas da fé e da moral cristã'

Leonencio Nossa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2010 | 00h00

Um dia depois da campanha de Dilma Rousseff pedir direito de resposta a supostas ofensas de um padre num programa de TV da Igreja Católica, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foi para os holofotes avisar que os religiosos estão liberados para participar da polêmica sobre aborto, tema de destaque na campanha eleitoral.

"Na sua diocese, o bispo tem o direito e o dever de orientar seus fiéis sobre temas da fé e da moral cristã. Eles são livres para fazer o que acharem que seja melhor", afirmou d. Dimas Lara Barbosa, secretário-geral da CNBB. Em entrevista na sede da instituição, ele ponderou que a CNBB não entrará no debate. A entidade divulgou inclusive nota assinada por sua cúpula para reafirmar que não indica candidatos e "lamentar" que os nomes da instituição e da Igreja Católica tenham sido usados e manipulados ao longo da campanha.

D. Dimas ressaltou que os bispos, em especial, nunca foram impedidos pela CNBB de participar do debate. O religioso disse que a Santa Sé e o Direito Canônico não preveem mordaça aos bispos. E evitou comentários diretos sobre a atuação do padre José Augusto, que numa homilia transmitida pela emissora Canção Nova, da Igreja Católica, pediu aos fiéis para não votarem na candidata do PT. O secretário-geral da CNBB, no entanto, disse que todos têm direito à liberdade de ação e pensamento.

A uma pergunta se o debate em torno do aborto não está ofuscando discussões mais relevantes sobre educação e saúde, ele respondeu: "Eu acredito que o segundo turno está apenas no seu início e os candidatos não vão certamente se ater apenas a esse tema".

Repercussão. Ontem, durante o dia, sites ligados à Igreja Católica divulgaram informação atribuída ao jornal Valor Econômico de que o Planalto pediu aos bispos da CNBB o fim das hostilidades e comunicou que o governo poderia reavaliar o acordo com o Vaticano. Lula e a própria Dilma, então ministra da Casa Civil, estiveram no Vaticano, em novembro de 2008, para costurar o acordo com o papa Bento XVI. Na entrevista na CNBB, d. Dimas apenas ressaltou que a Igreja Católica tem papel importante na educação e na saúde do País.

A crise envolvendo a Igreja Católica e o Planalto vai além do tema do aborto, dizem representantes da CNBB. Os bispos se sentem desprezados pelo governo, que estaria dando atenção para lideranças evangélicas. A CNBB também reclama da política do governo para a reforma agrária. O governo não teria cumprido promessas antigas.

Os bispos não escondem a mágoa. Na entrevista, d. Dimas disse que a Igreja não tem candidato. Mas, diferentemente de outros tempos, deixou claro que não tem simpatia por uma candidatura.

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