CNBB nega ser responsável por plebiscito

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acaba de enviar uma carta a todos os bispos para esclarecer que não é responsável pelo plebiscito sobre limites da propriedade rural no País.

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2010 | 00h00

A iniciativa foi tomada logo após o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, ter divulgado no horário de propaganda eleitoral gratuita que os bispos brasileiros querem delimitar o tamanho da propriedade.

O chamado plebiscito popular pelo limite da propriedade da terra no Brasil está marcado para 7 de setembro. Na carta, a presidência da CNBB afirma que a iniciativa não é dela, mas sim do Fórum Nacional pela Reforma Agrária, que reúne cerca de 40 organizações e movimentos, entre os quais o Movimento dos Sem-Terra (MST). Também faz parte a Comissão Pastoral da Terra (CPT). "Não é, portanto, iniciativa da CNBB, nem será realizada sob sua responsabilidade", diz a carta enviada aos bispos.

A Comissão Pastoral da Terra e outras pastorais sociais vinculadas à CNBB apoiam o plebiscito, que está de acordo com orientações gerais da Igreja no Brasil sobre a questão da terra. Isso não significa que todos os bispos devam apoiar. A principal preocupação da carta parece ter sido justamente reafirmar que eles têm poder para definir como o assunto deve ser encaminhado em cada diocese.

"Entendemos que esse gesto está em sintonia com as orientações da CNBB sobre as questões da terra", diz a carta, referindo-se ao plebiscito. Logo em seguida, porém, acrescenta: "Nas Igrejas particulares, os senhores bispos darão as orientações que julgarem convenientes."

A CNBB recorda ainda que a Igreja defende todas as "questões de justiça social que visam a melhorar as condições de vida dos cidadãos brasileiros". A questão fundiária seria uma dessas questões.

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