CNBB reafirma orientação para que católicos votem em candidatos éticos

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deverá anunciar hoje, em entrevista coletiva no encerramento da reunião do Conselho Permanente, em Brasília, que mantém a sua orientação para que os eleitores escolham candidatos comprometidos com os valores éticos, entre eles a defesa da vida, sem citação de nomes ou partidos.

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2010 | 00h00

O presidente da entidade, d. Geraldo Lyrio Rocha, falará aos jornalistas ao lado do secretário-geral, d. Dimas Lara Barbosa, sobre o momento político e as eleições. Os dois bispos lembrarão que o episcopado já se manifestou três vezes sobre a questão - com uma declaração aprovada pela Assembleia Geral em maio e com duas notas assinadas pela presidência, da qual faz parte também, como vice-presidente, o arcebispo de Manaus, d. Luiz Soares Vieira.

Tanto a declaração como as notas insistem na defesa de valores éticos, sem citar nomes de candidatos. Essa mesma linha foi seguida por notas de regionais da CNBB. As mais recentes foram as do Regional Leste 1, dos bispos do Estado do Rio, e do Regional Sul 1, dos bispos do Estado de São Paulo. Os participantes da reunião do Conselho Permanente, de 39 membros, estavam examinando, até ontem à noite, se seria necessário e conveniente voltar ao assunto com a divulgação de mais uma nota.

O núncio apostólico, d. Lorenzo Baldisseri, que presidiu a celebração da missa pela manhã e participou de reunião privativa com os bispos, não tratou em público da polêmica levantada pela distribuição, em paróquias e pela internet, em todo o território nacional, de material da Diocese de Guarulhos condenando a candidata Dilma Rousseff, com a alegação de que ela é favorável ao aborto.

Na homilia da missa, d. Baldisseri comentou as qualidades do bom administrador, a partir do texto do Evangelho lido na cerimônia, mas não tratou diretamente do problema das eleições nem das divergências que a discussão de temas religiosos na campanha eleitoral têm-se manifestado entre bispos. O chefe de gabinete do presidente da República, Gilberto Carvalho, pediu a interferência do núncio apostólico para acalmar os críticos e opositores a Dilma no clero.

É provável que a presidência da CNBB chegue à conclusão de que não será preciso insistir na polêmica provocada pelos panfletos, porque a última nota do Regional Sul 1 deixa explícito que o episcopado paulista, de 41 dioceses, endossa a orientação de que não se deve apoiar ou vetar candidatos, mas deixar que os eleitores votem de acordo com sua consciência. Se os jornalistas insistirem, informa a assessoria de imprensa da CNBB, d. Geraldo Lyrio responderá a perguntas sobre a inclusão do tema aborto na campanha eleitoral.

A polêmica aumentou e as divergências se acentuaram depois que o bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, publicou um artigo no jornal de sua diocese recomendando aos católicos que não votassem em Dilma Rousseff nem em qualquer candidato do PT, porque o partido aprova a descriminalização do aborto. Nem d. Luiz Gonzaga nem o bispo de Jales, d. Demétrio Valentini, que trocaram cartas sobre o assunto em termos muito duros, participam da reunião do Conselho Permanente.

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