EFE/EPA/GIUSEPPE LAMI
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CNBB vai na 'contramão' de propostas do governo Bolsonaro

Dom Walmor Oliveira de Azevedo também criticou a ausência da sociedade civil em conselhos como o da Amazônia, liderado pelo vice-presidente do País, Hamilton Mourão

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2020 | 13h51

BRASÍLIA - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, disse nesta quarta-feira, 12, que o órgão católico "está na contramão" de propostas do governo Jair Bolsonaro para exploração econômica de terras indígenas. Ele também criticou a ausência da sociedade civil em conselhos como o da Amazônia, liderado pelo vice-presidente do País, Hamilton Mourão.

“Governos e grupos econômicos residem seus interesses no dinheiro, no lucro, e, portanto, não levam em conta questões muito fundamentais que devem ser levadas em função da preservação”, afirmou dom Walmor.

Arcebispo de Belo Horizonte, em Minas Gerais, ele citou casos como o rompimento da barragem de rejeitos, que destruiu Brumadinho, como um exemplo de “luta” da Igreja Católica contra o avanço da mineração. “Inclusive quando conquistamos legislação própria para isso ela não é cumprida adequadamente”, disse o religioso.

A CNBB ainda não havia se pronunciado sobre o projeto de lei encaminhado na semana passada pelo Palácio do Planalto ao Congresso Nacional. O projeto de lei estabelece condições para mineração, turismo, pecuária, exploração de recursos hídricos para geração de energia, bem como de petróleo e gás natural.

“Somos contrários a tudo aquilo que prejudica o meio ambiente e os povos nativos. Nós estamos diametralmente opostos àquilo que atinge e que se faz por interesse meramente econômico, em um desenvolvimentismo que não atende as necessidades dos mais pobres, mas pelo contrário, os exclui”, afirmou dom Walmor.

O arcebispo também criticou a redução dos órgãos consultivos de participação popular no governo Bolsonaro. Para ele, há “risco à democracia”. Em janeiro, o presidente reagiu ao desgaste internacional com os incêndios na Amazônia com a criação do Conselho da Amazônia, em âmbito administrativo. 

“É muito triste quando um governo restringe a participação civil em conselhos, evitando escutar uma voz que precisa ser profundamente escutada”, criticou dom Walmor.

Soberania

Em coletiva de imprensa para apresentação do documento Querida Amazônia, exortação do papa Francisco após o Sínodo dos Bispos, dom Walmor destacou que o pontífice reafirmou o entendimento de respeito à soberania dos países e dos povos amazônicos. 

O papa escreveu no texto ser contra a “internacionalização” do território da Amazônia como forma de solucionar os problemas de preservação ambiental. O governo Jair Bolsonaro temia que a Igreja defendesse a ideia.

“Ele não falou na não internacionalização para agradar a governo nenhum, nem por medo de governo nenhum”, destacou dom Walmor.

O cardeal dom Cláudio Hummes disse que a Igreja está pronta a dialogar com  com o governo federal e a sociedade em geral, mas que tem de haver “disposição para o diálogo”. Relator-geral do Sínodo, o cardeal Hummes ponderou que nem todos os atritos com o governo Bolsonaro estão superados com o documento papal: “Não significa que todas as preocupações do governo estejam apaziguadas”.

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