CNJ apura se magistrado é conivente com prostituição

BRASÍLIA

, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 00h00

O desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina Carlos Prudêncio será investigado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por conivência com a prática de prostituição infantil. Ele foi flagrado em gravação telefônica autorizadas judicialmente conversando com o amigo Nauro Galassini sobre programas sexuais com uma garota de 16 anos num prostíbulo em Palhoça, na Grande Florianópolis.

O desembargador falava de seu telefone funcional sobre detalhes desses programas. Em um dos pontos da conversa, o amigo afirma que a menina com quem se encontraria tinha 16 anos. Sabendo que estava sendo investigado, conforme a relatora do processo no CNJ, Eliana Calmon, o desembargador dizia que o amigo deveria falar que a menina tinha 26 anos.

Além de não tomar providências contra a prática de prostituição infantil, as gravações mostram, conforme integrantes do CNJ, que o desembargador dava conselhos para que o amigo levasse roupas de presente para a menina. "Mesmo em uma conversa privada, não é possível um desembargador aceitar isso e ainda propalar", afirmou Eliana.

Há indícios ainda, que serão investigados no decorrer do processo, que o desembargador frequentava esse mesmo prostíbulo, onde mantinha relacionamento com uma mulher.

O diálogo, classificado pela corregedora como "indecoroso" e "repugnante", foi gravado durante a Operação Arrastão da Polícia Federal, que investigou a exploração de jogos de azar em Santa Catarina. Nauro Galassini chegou a ser preso na operação.

O desembargador será ainda investigado por suspeita de ter julgado de forma parcial um processo que tinha como advogado um ex-colega de tribunal, o desembargador aposentado Nestor Silveira. Conforme as investigações, Prudêncio teria retirado o processo da pauta de julgamentos por mais de dez vezes. E o julgamento teria ocorrido numa sessão em que os advogados da outra parte estariam ausentes.

Dois conselheiros votaram pelo afastamento do desembargador durante as apurações. O presidente do CNJ, Cezar Peluso, foi contrário à abertura do processo. Considerou por considerar que o caso deve ser analisado primeiramente pelo TJ de Santa Catarina. Somente depois o CNJ poderia ser acionado.

Os advogados do desembargador negaram os indícios de parcialidade. Afirmaram ser normal a demora no julgamento de processos judiciais e disseram que as conversas sobre relacionamentos sexuais são normais na conversa privada entre dois homens.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.