Polícia Civil/AFP
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Coaf aponta depósito de R$ 100 mil na conta de preso no caso Marielle

De acordo com relatório do órgão, Ronnie Lessa recebeu quantia sete meses após o crime; Justiça decretou bloqueio de bens dele e de outro detido, o ex-PM Élcio Queiroz

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2019 | 11h09

RIO DE JANEIRO - A Justiça decretou o bloqueio de bens do PM reformado Ronnie Lessa e do ex-PM Élcio Queiroz, acusados da execução da vereadora Marielle Franco (PSOL). O pedido foi feito pelo Ministério Público depois que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou um depósito de R$ 100 mil na conta de Lessa em outubro do ano passado, sete meses depois do crime.

O objetivo do pedido de bloqueio, segundo explicou o MPRJ, é garantir recursos para que as famílias das vítimas possam ser indenizadas por danos morais e materiais. O relatório do Coaf cita ainda bens materiais de Ronnie Lessa, como uma lancha, um veículo blindado avaliado em cerca de R$150 mil e uma casa no condomínio Vivendas da Barra, na zona oeste, que seriam incompatíveis com a renda de um PM reformado.

O advogado de Lessa, Fernando Santana, afirmou que não teve acesso às informações do relatório. "Também não falei com ele (Lessa) ainda", afirmou. "O dinheiro pode ser uma doação, pode ser a venda de algo." 

A previsão é de que Lessa e Queiróz prestem depoimento na tarde desta sexta-feira, 15, na Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca, na zona oeste. Santana, no entanto, já adiantou que o seu cliente vai ficar em silêncio e só falará em juízo. "Ele já está com a prisão preventiva decretada, por que perder tempo prestando esclarecimentos?", questionou o advogado. "Ele falará em juízo, futuramente."

A expectativa é de que Lessa e Queiróz sejam transferidos ainda nesta sexta-feira para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste. Posteriormente, no entanto, os dois acusados devem ser levados para uma penitenciária federal fora do estado.

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