Coaf promete para esta quarta lista de saques suspeitos à CPI

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) prometeu entregar, ainda nesta quarta-feira, 27, uma relação com todos os saques suspeitos ou acima de R$ 100 mil feitos nas agências dos bancos Safra, BankBoston e Bradesco, localizados no Rio e em São Paulo, realizados entre os dias 10 e 15 últimos.O pedido foi feito na terça-feira pelo sub-relator de sistematização da CPI dos Sanguessugas, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que quer investigar a origem do dinheiro destinado à suposta operação de compra de um dossiê contra políticos tucanos.Sampaio disse ao Estado que depois de examinar as movimentações mais significativas, se existirem, a CPI pedirá à PF que identifique seus titulares.Até o momento, o Coaf não conseguiu identificar nenhuma movimentação suspeita em nome dos suspeitos de envolvimento na compra do dossiê. Para Sampaio, isso aponta para a hipótese de que o dinheiro não tenha sido sacado recentemente. "Minha avaliação é de que o saque foi de apenas R$ 25 mil (quantia apreendida pela PF condicionada em cintas dos bancos sacados)", disse. "O restante devia estar guardado em algum cofre."Sampaio e o presidente da CPI dos Sanguessugas, Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), estiveram na terça reunidos com o presidente do Coaf, Antônio Gustavo Rodrigues. Os dois parlamentares afastaram a hipótese de leniência do Coaf. "Não há elemento que indique isso. Ficamos quase duas horas na reunião e foram feitas consultas online de todos os dados que solicitamos", disse Biscaia. "Não há má-fé nem demora do Coaf. Esse dinheiro é antigo e estava muito bem guardado."Apesar dessa avaliação do presidente da CPI, a oposição atacou a lentidão com que estariam sendo tocadas as investigações. "É uma operação-tartaruga comandada pelo advogado criminalista de Lula, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos", afirmou o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC). Para o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), todos os especialistas informam ser fácil identificar a entrada dos dólares: "A PF tem de dar explicações ao País para não ficar a idéia de que enrolou a população e esperou as eleições.""Assim que o Coaf tiver a resposta - se tiver, porque há coisas que não se consegue apurar -, os resultados serão transmitidos aos órgãos competentes", afirmou, em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que justificou a demora na identificação da origem dos recursos. "É possível que essas operações (do dossiê) sejam abaixo de R$ 100 mil e não tenham sido registradas e fiscalizadas pelo Coaf", concluiu.O caminho dos dólaresOs US$ 248,8 mil apreendidos com os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha, presos no último dia 15 de setembro num hotel em São Paulo, saíram de um banco em Miami (EUA), entraram legalmente no Brasil e foram repassados a um banco de pequeno porte de São Paulo. A Polícia Federal já tem o nome do banco, da agência, do correntista onde o dinheiro foi depositado e até do sacador, mas mantém os dados em sigilo para não alertar os alvos, até que sejam concluídas as diligências em curso para produção de provas.A informação sobre o rastreamento dos dólares constará do documento oficial que o Departament of Homeland Security, espécie de Ministério do Interior dos Estados Unidos, enviará ao Ministério da Justiça brasileiro e à PF, com base no acordo de cooperação jurídica e policial entre os dois países. Embora o documento ainda esteja sendo redigido, a informação já foi passada, nesta terça-feira, extra-oficialmente, a autoridades brasileiras.Para a PF, embora possa ter entrado legalmente no Brasil, isso não quer dizer que os dólares tenham origem legal.A PF já havia levantado que parte dos dólares apreendidos era de um lote de US$ 25 milhões fabricado pela casa da moeda americana em abril deste ano, conforme antecipou o Estado. O lote fora distribuído para bancos de Nova York e do estado da Flórida.Na hora da prisão, Valdebran estava de posse de US$ 109,8 mil e R$ 758 mil, enquanto Gedimar detinha US$ 139 mil e mais R$ 410 mil. Os maços de dólares estavam com etiquetas onde se lê a sigla da casa da moeda americana. O governo americano confirmou que as cédulas não haviam circulado antes.

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