Cobertura internacional destaca disputa da campanha e escândalos

"Campanha envenenada". Essa foi a classificação do processo eleitoral brasileiro dada pelo jornal Clarín em sua cobertura deste domingo. "Brasil chega hoje às eleições presidenciais depois de uma campanha maliciosa e acidentada", afirma completando que "para coroar uma série de episódios duvidosos, ontem caiu em Alagoas, nordeste do Brasil, o helicóptero no qual viajava o presidente do Senado, Renan Calheiros, considerado um personagem chave para o segundo governo de Lula da Silva".Clarín afirma que a suspeita "sobre algo mais que um acidente jamais teria sido levantada se não fosse pela violência desatada nesta campanha eleitoral, com manobras político-policiais da pior espécie, que converteram o processo democrático brasileiro em um verdadeiro lamaçal". Em outra reportagem destacada, o Clarín reproduz em letras garrafais a frase de Marco Aurélio Garcia, assessor internacional de Lula: "Se não ganha, a direita tratará de levar adiante um impeachment".Em uma entrevista exclusiva ao Clarín, Garcia afirma que os adversários "estão desesperados com a perspectiva de perder as eleições. Isso cria um ambiente muito turvo, muito desfavorável". ´Ataques da direita´O coordenador da campanha de Lula afirmou que "é perigoso o crescimento da direita política, que perdeu os lugares que ocupava no Estado". Ao ser indagado sobre o suposto posicionamento débil do governo em relação à Bolívia, Garcia afirma que "nós temos uma visão muito precisa" sobre o assunto."É um país que viveu um longa instabilidade e acreditamos que a eleição de Evo Morales abriu uma possibilidade de estabilização. A sociedade boliviana tem uma concepção, claro, levaram o cobre, o ouro, o estanho e agora estão levando o gás" da Bolívia, diz ele. "É preciso consertar isso", afirma completando que os presidentes Néstor Kirchner e Lula "têm a mesma visão" em relação à Bolívia.Na opinião do Clarín, "a direita brasileira deveria brindar nestas horas. Mas não devido a uma vitória eleitoral sobre Lula, algo improvável segundo as pesquisas. É que, ainda com um triunfo que parece cantado, o presidente terá problemas para estreitar alianças em seu segundo mandato". PortugalJá o jornal português Público, um dos mais influentes de Portugal, estampou na capa uma foto de Lula, com o site trazendo em sua página principal uma chamada para um artigo em tom crítico ao presidente, assinado por Dulce Furtado e intitulado "Lula da Silva com reeleição quase certa e um desafio de governo dantesco".No texto, Furtado afirma que Lula, se eleito, "tem pela frente a tarefa de limpar a reputação de um PT manchado por escândalos de corrupção consecutivos e, mais difícil ainda, presidir um Congresso fragmentado onde, para garantir uma aliança que lhe permita governar, terá que dar muito mais do que está disposto." Ela destaca que os partidos governistas podem não ser suficientes para assegurar os "dois terços do Congresso de que Lula precisa para garantir a continuidade das reformas que obrigam a alterações constitucionais."Furtado também critica algumas medidas de cunho social, como o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo acima da taxa de inflação, que deverão impor "o ônus de ter um déficit previsto para 2006 de R$ 41 milhões na Previdência Social." O artigo afirma ainda que o escândalo do dossiê abriu "uma crise política gravíssima e imprevisível no Brasil" e comprometeu a vitória do presidente em primeiro turno."Com receio de que os estilhaços da crise aberta pelo ´caso do dossiê´ possa comprometer a reeleição de Lula, todo o empenho petista se virou de imediato para assegurar que o presidente seja reconduzido ao Palácio do Planalto já hoje. A sugestão é clara: nenhum outro desafio se impõe agora a Lula como absolutamente prioritário do que o de evitar três semanas de ataques cerrados em pleno auge da investigação do TSE e um - muito provável - alinhamento de muitos dos outros candidatos afastados da corrida ao lado de Geraldo Alckmin", termina o artigo.

Agencia Estado,

01 de outubro de 2006 | 13h01

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