Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE

Cobrado pelo Planalto, ministro abre sindicância

Orlando Silva se diz seguro de que não houve danos aos cofres públicos nas irregularidades reveladas pelo ''Estado'' no Programa Segundo Tempo

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2011 | 00h00

Cobrado pelo Planalto, o ministro do Esporte, Orlando Silva, informou ontem que vai abrir sindicância para apurar suspeitas de irregularidades no programa Segundo Tempo reveladas em reportagens do Estado desde o último domingo.

Em entrevista no Palácio do Planalto após encontro para discutir a proposta da criação da Autoridade Pública Olímpica (APO) com o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, Orlando Silva disse estar seguro de que não ocorreram danos aos cofres públicos.

"Determinamos que uma equipe do ministério investigue todas as denúncias", afirmou o ministro. "Eu diria que merecem a atenção todas as informações divulgadas na imprensa e nosso papel é apurar e punir", ressaltou.

Critérios. A uma pergunta sobre os convênios do ministério com entidades ligadas a representantes do PC do B, partido ao qual é filiado, Orlando Silva respondeu que não discrimina ninguém. "Não pesquisamos a filiação dessas pessoas", afirmou. "Não perguntamos a vinculação política. Existe neste país liberdade política partidária. O que não pode é usar critérios políticos para escolher as entidades."

As reportagens do Estado mostraram como o ministro entregou o programa Segundo Tempo a entidades sem fins lucrativos ligadas ao PC do B. O Estado visitou convênios fechados em São Paulo, Piauí, Santa Catarina, Distrito Federal e Goiás e identificou entidades fantasmas, núcleos fictícios, desvio de merenda, entre outras irregularidades.

Intermediação. Na segunda-feira, foi revelado que a ONG Bola Pra Frente, comandada por Karina Rodrigues, vereadora do PC do B em Jaguariúna, São Paulo, faz intermediações entre o Ministério do Esporte e prefeituras do Estado, cobrando uma taxa mensal pelo serviço. A entidade é a campeã de recursos do Segundo Tempo.

Orlando Silva disse ontem que as prefeituras que atuam em parceria com a ONG são controladas em sua maioria por partidos de oposição ao governo federal. O ministro disse ainda que não conversou ontem com Palocci sobre as denúncias.

Ele teria dado explicações ao ministro da Casa Civil ainda na noite de segunda-feira, no Palácio do Planalto. Na ocasião, o ministro do Esporte teria apresentado sua defesa. Orlando Silva reclamou que o Estado não publicou todas as suas explicações. "Ele (Palocci) ficou impressionado com o fato de que as respostas que demos a ele não tenham sido publicadas nas matérias", disse. "Edição de jornal a gente não pode fazer."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.