Cobrador de van soterrada será enterrado em Natal

Depois de seis dias quase sem dormir e comer, a mulher e a mãe de Wescley Adriano da Silva, 22 anos, não tiveram forças para velar o corpo do cobrador. Grávida de 8 meses e meio, Thaís Ferreira Gomes teve recomendações médicas para não se estressar antes da viagem de avião que faria até Natal, no Rio Grande do Norte, onde o marido será enterrado no sábado.A mãe, Elenilda Adriano da Silva, 42 anos, apareceu por apenas 15 minutos, ainda dopada por tranqüilizantes. Ao todo, 27 parentes viajariam em um vôo da Gol com os custos pagos pelo Consórcio Via Amarela. "Minha preocupação é com o velório lá", disse o tio Elenildo Adriano da Silva, o familiar mais próximo que esteve nas 12 horas de velório improvisado em Guarulhos.O caixão fechado foi cercado por coroa de flores em uma sala da clínica Aespe, especializada em preparar corpos para viagens de avião. Cerca de 30 colegas da Transcooper compareceram. Eles distribuíam camisetas com a palavra "familiar" aos parentes que chegavam. Separado da mãe, o pai José Jaílson Ferreira, 46 anos, que mora em Natal, também velou o corpo, quase sempre a certa distância. A última visita do filho havia sido há dois anos. "Ele disse que ia voltar pra lá, adorou Natal, mas aí conheceu a mulher e ficou", conta.O governador José Serra apareceu às 14h55 quando só havia meia dúzia de pessoas dentro da sala. Deslocado, sentou-se entre duas parentes e prometeu mais uma vez agilizar as indenizações. Ficou 12 minutos. O prefeito Gilberto Kassab foi mais tarde e ficou 5 minutos.A mãe, Elenilda Adriano da Silva, 42 anos, só chegou às 17h30, quando faltava meia hora para o corpo ser levado ao aeroporto. Depois de mais de 48 horas sem conseguir pregar os olhos, ela tomou soníferos sem receita na noite de quinta-feira, após a identificação do corpo. Para que tivesse condições de enfrentar a viagem, um médico a alimentou por soro. Nilda, como é chamada pelos familiares, apareceu porque, ao acordar, viu pela televisão uma reportagem que falava do velório do filho vazio e ligou desesperada para o irmão. Serra estava na sala quando isso aconteceu. Nilda passou pelo local e voltou a São Paulo para fazer as malas para a viagem.Nesta sexta-feira também foi enterrado, no cemitério de Cachoeirinha, Reinaldo Aparecido Leite, 40 anos, motorista do microônibus soterrado na cratera do Metrô.

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