Cobrança de Lula pode ter motivado greve, diz associação

O presidente da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, acredita que a cobrança realizada na última terça-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu "o dia e a hora" para o caos nos aeroportos acabar, pode ter motivado a greve dos controladores em todo o País nesta sexta-feira.Segundo Lopes, os controladores já colocaram todas as cartas na mesa, já apresentaram todas as suas necessidades há meses e, diante da inação do governo, resolveram tomar alguma atitude."Esta é uma crise de várias facetas e temos de tomar medidas reais. Temos de comprar um grande número de equipamentos, contratar e treinar novos controladores. Isso não ocorre do dia para a noite. É necessário tempo. Por isso é preciso ação logo", afirma, lembrando que "a solução da crise não cabe à iniciativa privada, mas exclusivamente ao governo federal".Como os bombeiros, Lopes acredita que os controladores, por serem militares e estarem atuando em necessidades básicas da população, deveriam repensar seu direito de fazer greve.Lopes teve acesso a um relatório, elaborado há cerca de cinco meses, que apresentava ao Planalto, à Infraero e à Aeronáutica as reivindicações dos controladores de todo o País. No documento, a categoria apresentava ao governo a necessidade de renovação dos equipamentos, novas contratações e a ampliação das áreas de abrangência e visão sobre o espaço aéreo brasileiro. Segundo ele, o relatório não fazia menção ao o que poderia ocorrer caso as medidas não fossem realizadas."Quando se faz uma reivindicação, se aguarda um tempo para ver se aquilo ocorre. Eles esperam há meses. Notaram que nada ia ser feito e partiram para a greve. Todas as cartas já foram colocadas na mesa. Agora, é hora de ação".PreocupaçãoÀs vésperas do Pan, que começará dia 22 de julho, Lopes mostra-se preocupado com os transtornos que delegações de outros países e que visitantes podem ter no país. A crise aérea também pode afugentar os turistas."É preocupante, estamos à beira de um evento de grande porte e é difícil viver na incerteza do que pode ocorrer", diz o presidente da entidade que representa os hotéis cariocas.

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