Cocaína era servida na borda da pizza

"Eu queria pedir uma pizza, mas a borda tem de vir recheada.? O pedido, comum em qualquer pizzaria, seria, na verdade, a senha que os clientes do Ponto da Esfiha usavam para que drogas fossem incluídas na entrega, quase sempre cocaína. A polícia, após receber uma denúncia anônima, foi à pizzaria, na esquina da Avenida Jardim Japão com a Rua Itamonte, no Jardim Brasil, e prendeu o balconista Eliseu Carlos Silva, de 30 anos, acusado de traficar se aproveitando do serviço de entrega a domicílio. Ele nega envolvimento no caso.Segundo a polícia, uma mulher avisou os investigadores do 73.º Distrito Policial, no Jaçanã, sobre o que ocorria no estabelecimento. Ela tem um filho de 16 anos e, segundo contou por telefone, notou que de uma hora para a outra o adolescente começou a mudar os hábitos alimentares: pedia pizza praticamente todos os dias. Também lhe chamava a atenção o fato de o rapaz, após a chegada da pizza, se trancar no quarto com os amigos. Também começou a sumir dinheiro na casa da família. Esse foi o último indício para que a mulher tievsse uma conversa com o filho. O menino revelou que nos últimos meses fazia uso do disque-pizza para consumir drogas.Os policiais então disseram para a mulher fazer um pedido. Mas ela, com medo de se expor e sofrer algum tipo de represália, preferiu que a polícia resolvesse a situação. Por duas semanas, os policiais fizeram o monitoramento do estabelecimento, sem prender ninguém.A saída que encontraram foi comprar a droga no balcão da pizzaria. Antes, pegaram o dinheiro que seria usado - uma nota de R$ 10 - e fizeram uma marca na cédula. O investigador entrou na pizzaria e pediu uma cerveja. Puxou conversa com Silva e, minutos depois, foi direto ao assunto. Silva foi para os fundos do estabelecimento e voltou com a droga. O investigador lhe pagou com a nota de R$ 10 e saiu. Em seguida, deu o alarme para os companheiros, que entraram na loja. A primeira coisa que fizeram foi revistar a gaveta do caixa, onde encontraram a cédula que havia sido usada para comprar a droga.

Agencia Estado,

07 de fevereiro de 2002 | 21h28

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