Cofre cheio na campanha de tiririca

PR investe R$ 516 mil no comediante e aposta alto em seu puxador de votos

Eduardo Reina e Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2010 | 00h00

A repercussão da campanha do humorista Tiririca, candidato do PR a uma cadeira na Câmara dos Deputados por São Paulo, não aconteceu só nas rodas de amigos e nos papos de padaria. Ecoou também nos cofres do palhaço. Tiririca foi um dos que mais arrecadaram verba para a eleição, segundo declaração ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, encheu o cofrinho com R$ 593,9 mil. Muitos colegas de partido ficaram com pouco dinheiro. O cantor Aguinaldo Timóteo, que também concorre a uma vaga em Brasília, declarou ter recebido R$ 184 mil.

A verba de Tiririca foi praticamente toda bancada pelo partido, o PR. Foram R$ 516 mil, discriminados como R$ 350 mil do fundo partidário e R$ 166 mil de "outros recursos". Tamanho investimento demonstra que a legenda aposta no humorista como puxador de votos. "O PR acha natural investir em um candidato que tem a abrangência que o Tiririca tem", informou o partido por meio de sua assessoria de imprensa. "Temos levantamentos internos que apontam que ele terá boa votação em todos os municípios do Estado."

Valdemar Costa Neto, um dos responsáveis pela criação do PR - que nasceu da fusão do PL com o Prona -, recebeu do partido pouco mais que o comediante: R$ 600 mil. Mas tem o prejuízo de aparecer bem menos do que Tiririca no horário eleitoral gratuito. Já o também humorista e veterano Juca Chaves, ou Jurandir Czaczkes, arrecadou apenas R$ 1,2 mil, sendo que nenhum centavo veio do partido.

Independentemente de o dinheiro vir do próprio partido ou de outro tipo de doações, na comparação com outras legendas e outros candidatos fortes, a arrecadação de Tiririca até aqui fica ainda mais exorbitante. O tucano Walter Feldman, segundo sua declaração ao TRE, conseguiu R$ 346 mil. Ivan Valente, do PSOL, R$ 89,4 mil. O petista Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e da CUT, ficou com R$ 267,2 mil. E até o dinossauro Paulo Maluf (PP) ficou abaixo de Tiririca, com R$ 146,9 mil.

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