Colatina (ES) se prepara para rodízio de água com chegada de lama

A cidade, com cerca de 96 mil habitantes, tem o Rio Doce como fonte exclusiva de captação para abastecimento da população

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2015 | 17h25

A cidade de Colatina, na região Noroeste do Espírito Santo, prepara-se para enfrentar um colapso no abastecimento com a chegada da lama, proveniente das barragens que se romperam em Minas Gerais, ao Rio Doce. O local que tem cerca de 96 mil habitantes tem o rio como fonte exclusiva de captação para abastecimento da população.

A lama deve chegar à cidade nas primeiras horas da manhã desta terça, 10. A prefeitura planeja suspender a captação até que a qualidade da água retorne ao nível aceitável, o que poderá levar até quatro dias, segundo prognóstico da Defesa Civil do Espírito Santo.

A alternativa para os moradores será recorrer a carros-pipa, além de doações de água mineral que chegam de todo o Estado. "Montamos um plano emergencial e estamos acompanhando o fluxo da lama desde Ipatinga (Minas). Nossa principal preocupação é com o abastecimento humano, já que não há previsão de inundações", disse o prefeito de Colatina, Leonardo Deptulski (PT).

A lama poderá elevar em até 1,5 metro o nível do rio que corta a cidade, mas a Defesa Civil não prevê a necessidade de retirada de moradores de nenhuma residência da região. "O rio hoje está abaixo do seu nível normal e acaba formando bancos de areia, onde pescadores costumam até acampar. Percorrermos essas áreas fazendo todos os alertas necessários. Na cidade, não acredito que precisaremos desalojar ninguém", disse o coronel Fabiano Marchetti Bono, coordenador da Defesa Civil capixaba.

Os primeiros sinais de problemas no abastecimento da cidade devem começar a ser sentidos no início da tarde da terça, já que o volume armazenado conseguirá manter a distribuição por até 10 horas após a interrupção na captação. Com 10 carros-pipa, a prefeitura planeja socorrer hospitais, presídios e asilos da cidade. "Para o restante, estamos tentando começar a captar de uma lagoa próxima para começar um rodízio por bairros. A água servirá ao menos para fazer alimentação e outras necessidades", disse o prefeito.

Ele planeja criar pontos de coleta de água potável em escolas se a situação persistir. "Ainda não é possível saber quando poderemos captar novamente. Temos que fazer testes depois que a lama passar", acrescentou. Segundo ele, entre chegada, pico e passagem da lama a previsão é de 9 horas. 

A lama no Rio Doce já vem deixando sinais de estragos em municípios mineiros e, antes de chegar a Colatina, deverá atingir a cidade de Baixo Guandu, que integra o plano emergencial em parceria com o governo do Estado. Após Colatina, a onda passará por Linhares, que tem outras fontes de abastecimento além do Rio Doce e deve enfrentar menos problemas. O acúmulo de rejeitos chegará ao mar, segundo previsão do Serviço Geológico Brasileiro, na quarta, 11, ao passar pela cidade de Regência.

 

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