Secom ES/Divulgação
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Colatina recebe da Samarco 30 toneladas de produto para água

Cidade capixaba interrompeu captação do Rio Doce na madrugada desta quarta-feira após lama proveniente de barragens atingi-lo

Marco Antônio Carvalho, Enviado especial de O Estado de S. Paulo

18 Novembro 2015 | 11h31

COLATINA - A cidade de Colatina, no noroeste do Espírito Santo, recebeu da mineradora Samarco 30 toneladas do produto Tanfloc, que será usado no tratamento da água do Rio Doce, atingida nesta quarta-feira, 18, pela lama de rejeitos proveniente do rompimento das barragens em Mariana, em Minas Gerais. O município de 120 mil habitantes interrompeu nesta madrugada a captação no rio e passou a adotar métodos alternativos de distribuição, como caixas d'água públicas e caminhões-pipa.

O produto deve começar a ser testado até o fim da semana, com verificações diárias de qualidade. O Tanfloc já está sendo usado em tratamento na cidade mineira de Governador Valadares, também atingida pela lama. De acordo com relatórios apresentados pela prefeitura, a qualidade da água após o tratamento já foi suficiente para retomar parte da distribuição. 

O governo do Espírito Santo informou que o produto é extraído da planta acácia negra e não altera o pH da água, "eliminando a adição de substâncias utilizadas para restabelecer a alcalinidade". "O produto consegue separar a lama para que a água volte a ser tratada", informou o governo. 

A prefeitura de Colatina informou que uma estação de tratamento concentrará os testes com o produto. "Vamos trabalhar com cuidado e, em caso de sucesso, poderemos voltar a captar como ocorreu em Valadares", disse o prefeito Leonardo Deptulski (PT).

Deptulski disse ter sobrevoado a região na manhã desta quarta-feira e notado um nível de turbidez menor do que em cidades mineiras. "Parece estar um pouco diluído em razão da água das barragens. Mas temos que esperar para ver o que vai acontecer."

Além dos caminhões-pipa e reservatórios, o prefeito confirmou o apoio de vagões-tanque da mineradora Vale, que trafegam na linha férrea de Vitória a Belo Horizonte e captam água em cidades que não foram afetadas pela lama. Chegaram nesta quarta-feira 160 mil litros.

As medidas alternativas têm garantido o fornecimento de até 11 mil litros por segundo dos 34 mil consumidos em média pela população. "Agora, passamos a contar com apoio da população para economizar ainda mais", disse o prefeito.

A lama deve passar pela altura do centro da cidade na noite desta quarta-feira.

A Polícia Militar Ambiental do Espírito Santo destacou a necessidade de se evitar a coleta para consumo de eventuais peixes mortos nas margens, assim como captação para irrigação de plantações por risco de problemas à saúde. 

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