Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Colegas dizem que atirador de Goiânia ameaçava matar estudantes

Meninas que estavam na sala de aula durante os disparos afirmam que, quando era alvo de brincadeiras, jovem dizia que mataria alunos e suas famílias; segundo elas, ele já chegou a levar livro sobre satanismo em roda literária na escola

Sarah Teófilo, especial para o Estado, e Breno Pires, enviado especial a Goiânia, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2017 | 18h07

GOIÂNIA - Duas adolescentes que estudavam na mesma sala do adolescente que atirou contra colegas nesta sexta-feira, 20, em Goiânia, afirmam que o garoto tinha comportamentos estranhos. Ambas dizem que o jovem já chegou a levar um livro sobre satanismo à escola. 

"Numa prova de ética dele, ele desenhou o símbolo nazista, e em uma roda literária, ele levou um livro satânico", relatou uma das meninas à reportagem. Segundo ela, o episódio aconteceu no ano passado e o garoto não disse onde conseguiu o livro.

De acordo com a outra garota, o estudante era uma pessoa "muito estranha e muito fria". "Se você fizesse uma brincadeira ele falava que ia te levar para o inferno, que ia matar sua família e te matar", disse a menina. 

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Uma delas afirma que houve um período em que o adolescente que realizou os disparos ocupou lugar em frente ao dela, na sala. “Foi a época em que ele falou para mim que ia matar meu pai e minha mãe…”, lembra, confirmando que o jovem fazia ameaças semelhantes a outros alunos.

Disparos

Ambas contam, contudo, que o menino jamais havia ameaçado levar uma arma ao colégio e que, a princípio, não identificaram o barulho dos disparos como sendo tiros. “Como teria mostra científica amanhã, pensamos que tinha sido um dos projetos que tinha estourado, ou alguma bombinha. Na hora em que nós vimos a arma, saímos correndo”, relata uma das garotas. Segundo as meninas, o jovem teria começado a disparar aleatoriamente. 

Amiga de João Pedro - uma das vítimas fatais - uam das jovens o descreve como alguém que brincava com todos, mas desconhece qualquer apelido específico em relação ao atirador.

Quanto a João Vitor, a garota o define como “uma pessoa normal, bom aluno”.

Luto

No portão de entrada do Colégio Goyases, uma faixa com os dizeres "Família Goyases em luto" foi afixada na tarde desta sexta. Acima dela, outra anunciava a realização da mostra científica que aconteceria na escola neste sábado, 21.

A esta altura, pouco antes das 17h, os corpos de João Vitor Gomes e João Pedro Calembo já haviam sido retirados da escola e levados ao Instituto Médico Legal. 

O delegado Francisco Costa, do departamento de homicídios, do lado de fora da escola, disse que a sala estava revirada, com marcas de bala nas paredes e no chão, e havia manchas de sangue do terceiro andar da escola até o térreo.

Ele afirmou que a perícia, preliminarmente, encontrou pelo menos 11 cápsulas de balas .40 na sala de aula onde estudavam os 30 alunos da turma do 8º ano. Segundo ele, a perícia inicialmente pode ver que alguns disparos pareciam ter alvos determinados e outros pareciam ter sido efetuados de forma aleatória. Uma estudante ouvida pela reportagem disse que o atirador chegou a mirar em direção a ela por alguns segundos, mas mudou de ângulo e não a atingiu.

O colégio, segundo estudantes e ex-estudantes que circundavam o cordão de isolamento, exigia muita disciplina dos alunos. Um deles disse que já havia sido suspenso de classe porque estourou um "estralinho".

Três alunas do 9º ano, sentadas na calçada, comentam que há aula de ética toda semana. Em uma dessas aulas, o autor dos disparos teria desenhado uma suástica.

 

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