Com 12 projetos, ele é o Senhor Shopping

Alberto Botti assina do Higienópolis ao Metrô Itaquera

O Estadao de S.Paulo

13 Outubro 2007 | 00h00

O arquiteto Alberto Botti pode ser considerado o Senhor Shopping de São Paulo. Com 12 projetos do gênero no currículo, daqui a cerca de um mês vai inaugurar o Metrô Itaquera, na zona leste. Há três meses, lançou o Boulevard Tatuapé, na mesma região. O escritório Botti Rubin Arquitetos Associados ultrapassou meio século de história com diversos profissionais trabalhando para o setor comercial. Atualmente, planeja mais dois projetos de centros de compras, sobre os quais Botti não pode falar nada. "É cláusula de contrato", conta o arquiteto da turma de 1954 do Mackenzie, de onde também saiu Paulo Mendes da Rocha. O primeiro empreendimento do gênero que construiu foi o Plaza Sul. O que marcou a sua carreira foi o Pátio Higienópolis, na região central de São Paulo. Ali, ele enfrentou oposição de moradores ilustres, que rejeitavam a construção por temer congestionamentos no bairro. "Hoje, todos freqüentam o shopping. Na inauguração, o presidente da associação de bairro veio me pedir desculpas", diverte-se Botti. Segundo ele, o Pátio Higienópolis trouxe inovações que acabaram incorporadas pela concorrência. A principal é a abertura à luz natural. "A instalação das chancelas da garagem bem lá dentro do estacionamento serviu para absorver as filas e não criar congestionamentos na rua." O desnível das vias do bairro ajudou a esconder o tamanho gigante da construção, cuja volumetria acabaria interferindo negativamente na paisagem, caso não houvesse a ladeira de uma via a outra. "Evitar as paredes cegas, que dão aquela idéia de caixote de cimento, é importante hoje. Mas os recursos são poucos. Trabalhamos com elementos decorativos, aberturas, profundidades", explica Botti. "Shopping é sempre uma coisa kitsch e não dá para escapar disso. Há kitsch de qualidade e kitsch de mau gosto", brinca. O arquiteto também está acostumado a "tropicalizar" projetos que já vêm totalmente prontos dos Estados Unidos. "Há um domínio de Miami nesse setor." A grande diferença de um shopping americano para um paulistano, ensina Botti, está na dimensão das lojas. "Lá, eles trabalham com espaços enormes, porque tudo é um pouco grande. Aqui, não. São muito menores", explica. Para Botti, o milagre da multiplicação do setor não tem muito mistério. É fruto da entrada de capital estrangeiro no País, pela Bolsa de Valores de São Paulo - dinheiro que acaba na mão dos grandes grupos financeiros. "A maioria trabalha com shopping. É um negócio muito rentável." Já para os arquitetos, são projetos que se mostram muito trabalhosos. "E mutantes. Até a inauguração, tudo pode mudar", comenta Botti. "É preciso deixar claro que shopping não tem nada a ver com arquitetura. Para mim, é uma evolução das feiras inglesas e francesas do século 16. É efêmero", sentencia.

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