Com 120 (elegantes) anos e no auge

Símbolo da França, a Torre Eiffel ganhará investimentos de 170 milhões de euros em infraestrutura até 2015

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

28 de março de 2009 | 16h59

A Dama de Ferro completará nesta terça-feira 120 anos brilhante como de praxe e mantendo, literalmente, sua forma. Ícone da França, a Torre Eiffel foi alvo de projetos que alterariam seu desenho por tempo limitado, em comemoração ao aniversário. Mas os fãs do símbolo da França podem ficar tranquilos. Em lugar de mudanças radicais, a torre receberá até 2015 reformas quase imperceptíveis, orçadas em  170 milhões e destinadas apenas a garantir mais conforto e facilidade de acesso.

 

As obras já estão sendo realizadas pela Sociedade de Exploração da Torre Eiffel e vão desde a oferta de bilhetes eletrônicos pelo website - opção por ora disponível apenas para grupos - até a restauração dos elevadores dos pilares leste e oeste, postos em serviço em 1889. As reformas compreendem ainda abrigos contra intempéries, novos acessos para portadores de deficiências e, garante a companhia, restaurantes com preços mais baixos.

 

As alterações sutis, e que passam despercebidas pela maioria, serão as únicas lembranças que os parisienses mais atentos guardarão do aniversário da Torre Eiffel. Nem mesmo um espetáculo de fogos ou uma iluminação especial - como a realizada em 2008 para celebrar a presidência francesa da União Europeia - estão programadas. Os administradores não preparam nenhum evento para celebrar o 31 de março e o marco de 120 anos da obra, planejada pelo engenheiro Gustave Eiffel para a Exposição Universal de 1889.

Mudança radical

Isso ocorre porque a mudança estética mais radical planejada para marcar a data não sairá do papel. Em 2008, a torre foi objeto de um concurso de arquitetura para a construção temporária de um deck superior, que alteraria seu perfil e ampliaria o espaço de circulação no 3º andar, próximo do topo da construção. A proposta da administradora era reestruturar a recepção do público e ampliar a área de circulação mais elevada da torre, próxima das antenas de rádio e TV.

O projeto vencedor, de autoria do gabinete de arquitetura Serero, de Paris, previa uma plataforma em metal leve que funcionaria como extensão temporária do 3º andar. A obra mais do que dobraria - de 250 para 580 metros quadrados - o espaço de circulação situado a 300 metros de altura. Contudo, alteraria a silhueta da torre, adicionando-lhe uma espécie de disco junto ao cume. O projeto foi elogiado pelo bom gosto no meio arquitetônico. Mas a mudança recebeu o "não" da minoria de franceses que tomou conhecimento do desenho.

"Além de seu lado simbólico, a Torre Eiffel é maravilhosa e inesquecível como a vemos, seja de perto ou longe. Mexer no seu desenho seria estúpido", entende Rémi Dupont, um habitué do Campo de Marte, o parque onde está situada a torre. Parte do charme do monumento, estima Dupont, está ligada à perenidade de seu desenho. "É legal que ela seja como é há 120 anos. Não precisamos de mudanças radicais para apreciá-la. Já bastam as luzes cintilantes, que a transformam à noite."

Investimentos

Se o choque estético acabou vetado, os investimentos nas obras básicas vêm sendo realizados de qualquer forma, pensando em ampliar ainda mais o potencial turístico do monumento. Em 2008, 6,39 milhões de visitantes subiram os degraus ou tomaram os elevadores da torre - 37 mil a mais que em 2007. Entretanto, desse universo, apenas 2% dele é de parisienses, um público que também vai se tornar alvo dos administradores.

A maioria ainda se queixa da multidão que se aglomera em filas para comprar bilhetes. O estudante Romain Lebrunet, de 23 anos, é um deles. Ele prefere abrir mão da vista da capital francesa do alto da torre a ter de enfrentar os turistas. "Em oito anos vivendo em Paris, fui apenas uma vez, porque há uma multidão", afirma Lebrunet. "É uma pena, porque a torre é um monumento incontornável da Europa."

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