Gustavo Magnusson
Gustavo Magnusson

Com 1.945 casamentos gays, SP é o Estado com o maior nº de uniões deste tipo em 2013

Acre, com apenas 1, está no lado oposto; dados integram Estatísticas de Registro Civil, do IBGE, que também tratam de divórcios, sub-registro de nascimentos e mortalidade infantil

Roberta Pennafort e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2014 | 10h00

Atualizada às 22h16

Moradoras da capital, a analista de comunicação Mariana Lemos, de 30 anos, e a advogada Patrícia Brasil, de 34, estão entres os 3.701 casamentos gays registrados em cartórios em 2013. “Temos uma vida juntas, construímos tudo juntas. Projeto, carreira, apartamento, tudo”, diz Mariana. Pela primeira vez, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) compilou casais homoafetivos em seu relatório anual de registros civis - elas formam um dos dez casamentos gays celebrados em média por dia no País.

Os dados refletem os efeitos da Resolução 175 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de maio de 2013, que obriga cartórios a realizar casamento entre pessoas do mesmo sexo. “Foi emocionante. Fico emocionada cada vez que há alguma decisão favorável aos direitos civis”, diz Mariana. Para ela, o direito deu segurança ao casal. 

Mais da metade das uniões foi realizada no Estado de São Paulo. No total, foram 1.945 casamentos - 1.048 entre duas mulheres e 897 entre dois homens. O Sudeste concentra 65,1% do total, seguido do Sul (14,1%), do Nordeste (14,2%), do Centro-Oeste (5,8%) e do Norte (1,5%). O Acre celebrou apenas um casamento. “As coisas estão caminhando, embora lentamente”, afirma Mariana.

O IBGE apurou que os gays se casam mais tarde: a média de idade masculina é de 37 anos, quando entre os homens heterossexuais é de 30, e a feminina é de 35, ante 27 das heterossexuais. Diante dos números, Patrícia vê esperança. “A gente talvez torne um pouco mais fácil a vida das gerações que estão por vir”, diz. O próximo passo é ter filhos. “Para daqui uns cinco anos”, afirma Mariana.

Atrás de São Paulo, vem o Rio, com 211 uniões. “Talvez em São Paulo a informação tenha sido mais bem divulgada, daí a maior concentração. É importante que os cidadãos saibam que todos têm o mesmo direito ao casamento civil”, explica Carlos Tufvesson, coordenador da Diversidade Sexual do Rio. Militante dos direitos civis há 20 anos, ele próprio faz parte das estatísticas: casou-se com o arquiteto André Piva, em setembro de 2013. 

Família. Saber que tinham direito ao casamento civil fez com que dois pastores evangélicos do Rio se casassem quatro vezes. “Primeiro, fizemos um contrato de casamento, em 2009, porque não queríamos que nosso casamento fosse conhecimento somente por Deus, mas pela sociedade”, explicou o administrador Fábio Inácio Canuto, de 35 anos, casado com o advogado Marcos Gladstone, de 39. De lá para cá, se uniram na igreja, na união estável e, em junho de 2013, no civil. 

“Foi uma grande vitória. Já tínhamos uma família, nossa casa, nossos filhos, mas nada legalizado”, diz Canuto. Ele e Gladstone, que fundou a Igreja Cristã Contemporânea para acolher gays, se conheceram em 2006 e adotaram Felipe, de 10 anos, e Davison, de 12. “Gay também gosta de família, quer ser pai e tudo mais. Tínhamos tudo, mas faltava alguma coisa.”

Heterossexuais. Em relação aos enlaces homem-mulher, não houve grande alteração: 2013 teve 1,1% de casamento a mais do que 2012 - 1.048.776. O Sudeste também lidera o índice, com 48,2%. A chamada taxa de nupcialidade legal - ou seja, entre pessoas com mais de 15 anos - está estável desde 2011. São 6,9 casamentos a cada mil habitantes. 

A publicação do IBGE compila informações colhidas em cartórios, varas de família e cíveis de todo o País. A maior parte dos números é levantada pelo órgão já há 40 anos.

Mortalidade infantil. A mortalidade infantil no Brasil está concentrada nos primeiros 27 dias do bebê. Em 2013, 31.909 crianças com menos de um ano morreram e 67,4% dessas mortes foram registradas até o 27º dia de vida, informam as Estatísticas de Registro Civil, divulgadas nesta terça-feira, 9, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Estudos mostram que à medida que o País avança nas questões estruturais relacionadas às áreas de saneamento e acesso à saúde da gestante e da criança, a tendência é os óbitos infantis se concentrarem na componente neonatal", escreveram os pesquisadores do IBGE.

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