Marcos de Paula/AE - 21.01.2011
Marcos de Paula/AE - 21.01.2011

Com 791 mortos, tragédia no Rio se torna maior desastre natural do País

Número de vítimas na região serrana superou total registrado em enchente que matou 785 no Estado em 1967

estadão.com.br,

22 de janeiro de 2011 | 13h12

Atualizado às 14h45

 

 

SÃO PAULO - Com 791 mortos confirmados, a tragédia na região serrana do Rio se tornou neste sábado, 22, o maior desastre natural da história do País. Segundo balanço divulgado pela

Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil (Sesdec) fluminense, as chuvas já deixaram 386 vítimas em Nova Friburgo, 317 em Teresópolis, 66 em Petrópolis e 22 vítimas em Sumidouro.

 

O boletim informa ainda que, em Petrópolis, há 3.600 pessoas desalojadas e 2.800 desabrigadas. Em Teresópolis, são 960 desalojados e 1.280 desabrigados. Já em Nova Friburgo, há 3.220 desalojados e 1.970 desabrigados. O número de pessoas desaparecidas chega a 400.

 

A tragédia superou em número de vítimas uma enchente no Rio que matou 785 pessoas em 1967, até então considerado o maior desastre natural do País. Também naquele ano, 436 pessoas morreram em um deslizamento em Caraguatatuba.

 

Hoje, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, reconheceu deficiências estruturais e financeiras na atuação da Defesa Civil Nacional. "Queremos uma Defesa Civil em nível nacional que esteja à altura do país que somos, a quinta ou sexta economia do mundo. É evidente que temos que ter um outro poder de resposta", declarou ele a jornalistas.

 

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Um atlas com o mapeamento das áreas de risco dos municípios brasileiros está sendo elaborado para a Defesa Civil Nacional e deve estar pronto em meados do ano, de acordo com Bezerra. Um sistema nacional de alerta contra catástrofes também entrou na pauta do governo federal e deve levar até 4 anos para ser concluído.

 

Reconstrução. Na sexta-feira, 21, foi anunciado que a região serrana irá receber R$ 400 milhões em crédito do BNDES para recuperar suas pequenas e micro empresas, além de poder renegociar dívidas com o banco no valor de R$ 270 milhões.

 

A medida segue o mesmo modelo já adotado em outros casos semelhantes, como na enchente em Santa Catarina em 2008, e no ano passado nos estados de Pernambuco e Alagoas. "Estamos preocupados em recuperar pequenas empresas, já que acreditamos que as grandes terão condições próprias de se reerguer", disse Bezerra.

 

Alerta. Cientistas da Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertam que os governos do Brasil e, principalmente, dos Estados do Sudeste devem se preparar para enfrentar eventos climáticos extremos nos próximos anos. "Esse não foi um evento isolado (a devastação na região serrana do Rio de Janeiro). Os acontecimentos no Brasil confirmam uma tendência mundial de que tempestades tendem a ser cada vez mais fortes e em locais onde não ocorriam com a mesma intensidade", afirmou Rupakumar Kolli, especialista da OMM.

 

A entidade diz que ainda não pode confirmar se a intensidade das chuvas no Rio foi causada diretamente pelas mudanças climáticas que afetam o planeta, mas tudo indica que sim. "É difícil dizer se as mudanças climáticas já atuam nesse caso", afirmou o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud. "O que está claro é que vemos um aquecimento do planeta e um número cada vez maior de eventos climáticos extremos e o que aconteceu no Brasil vai nessa direção."

 

"Governos precisam entender que esses fenômenos vão se repetir. Essa é a tendência que vemos em todo o mundo, com chuvas mais intensas em locais que não conheciam eventos tão drásticos", ressaltou Kolli. "O governo brasileiro precisa lidar com a vulnerabilidade de suas populações nas áreas de risco, porque podemos dizer quase com certeza que novos eventos extremos vão ocorrer."

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