Com 9% de votos de vantagem, PMDB elege 49% deputados a mais que PSDB

Discrepância se explica pelas distorções do sistema eleitoral, que dá um peso para os eleitores dos grandes Estados e outro para os pequenos

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2010 | 00h00

Na eleição para a Câmara dos Deputados, candidatos do PMDB tiveram, em todo o País, apenas 9% de votos a mais que os do PSDB. Essa proporção não se refletiu no número de eleitos - os peemedebistas ficaram com 49% de cadeiras a mais que os tucanos.

O PMDB conquistou, com 13,15% dos votos, 15,4% das vagas da Câmara - o melhor aproveitamento entre os grandes partidos. Já os tucanos, com 12% dos votos, obtiveram apenas 10,3% das cadeiras.

A performance dos dois partidos exemplifica distorções do sistema eleitoral brasileiro. Elas ocorrem graças a dois fatores: o peso diferenciado dos eleitores nos grandes e nos pequenos Estados e a existência de coligações na eleição para deputado - o que faz com que o voto em um partido possa ajudar a eleger o candidato de outro.

Trajetória. O PT foi o partido mais votado para a Câmara e também o que elegeu a maior bancada. Teve 16,6% do eleitorado e ficou com 17,1% das vagas. De 1994 a 2002, os petistas conquistavam mais votos que cadeiras, e o contrário passou a acontecer a partir de 2006, quando seu eleitorado ficou menos concentrado nos grandes centros.

O DEM, que elegeu a quarta maior bancada, recebeu 7,6% dos votos e ficou com 8,4% das vagas. Nas quatro eleições anteriores, o partido também obteve mais cadeiras do que eleitores, em termos proporcionais.

Assim como o PMDB, o PP foi outro grande beneficiado pelas distorções eleitorais. O partido teve apenas 6,6% dos votos, mas abocanhou 8,2% das vagas em disputa.

Os pepistas eleitos em 2010 são 41. Para efeito de comparação, o PR elegeu o mesmo número de deputados com quase 1 milhão de votos a mais. E o PSB, que obteve cerca de 500 mil votos a mais que o PP, ficou com sete deputados a menos.

Quociente eleitoral. A distribuição das vagas na Câmara não respeita a proporção do eleitorado em cada Estado. Os menores colégios eleitorais tendem a eleger mais deputados, proporcionalmente. Por exemplo, para levar à Câmara um deputado, um partido ou coligação precisa, em média, de 11 vezes mais votos em São Paulo que em Roraima.

Essa discrepância tende a prejudicar os partidos que são mais votados nos maiores Estados. É caso do PSDB, que teve metade de seus votos para a Câmara concentrados em São Paulo e Minas Gerais.

Já o PMDB recebeu apenas 12% de seus votos dos paulistas e mineiros. O eleitorado do partido está mais concentrado no Norte e no Nordeste, regiões que têm maior peso proporcional na composição da Câmara.

Os peemedebistas também devem ter feito alianças mais proveitosas que os tucanos. Em uma coligação, os votos nas legendas e nos candidatos derrotados acabam canalizados para a eleição dos mais bem colocados. Neste ano, apenas 35 dos 513 deputados se elegeram sem um "empurrão" de concorrentes.

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