Com águia de 22 metros, Portela desfila pela natureza

A agremiação teve o patrocínio apenas na Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro

Roberta Pennafort e Gustavo Miranda, estadao.com.br

04 de fevereiro de 2008 | 03h09

Uma das escolas de samba mais tradicionais e antigas do Rio, a Portela, prometeu fazer do desfile deste ano um "divisor de águas"  na madrugada desta segunda-feira, 4. Com o enredo 'Reconstruindo a Natureza, Recriando a Vida: O Sonho Vira Realidade', a Portela, que é a única escola que participou de todos os desfiles, pretende quebrar o jejum e ganhar um título, após um desfile cheio de graça e luxo. Apesar da beleza, faltou criatividade e ousadia: as alegorias e fantasias com animais e flores, representando a diversidade da Amazônia, do Pantanal e da Mata Atlântica, não trouxeram inovações.    As imagens do desfile Censurada, Viradouro promete 'arrepiar' Saiba como foram os desfiles em SP no 2º dia Saiba como foram os desfiles em SP no 1º dia Veja as melhores imagens dos desfiles em SP Qual escola de samba será campeã em SP?  Qual escola de samba será campeã no Rio?  Tudo sobre as escolas do Rio e os sambas  As melhores imagens do Carnaval pelo Brasil   A escola apresentou carros alegóricos bonitos, fantasias bem acabadas e muitas mulheres daquelas de levantar o Sambódromo (a rainha da bateria, Adriana Bombom, no auge da forma, encabeçava a lista de beldades). Cavalos marinhos, recifes de coral, peixes, borboletas, golfinhos e pingüins apareceram em profusão. Os pontos altos foram o carro que trazia um gorila de dez metros de altura, representando a África e sua exuberância natural, e o que mostrava os efeitos dos abusos cometidos pelo homem: uma alegoria toda marrom, sem vida. Um buraco observado na metade final do desfile, provocado pelo atraso na entrada de um carro, pode prejudicar a escola. A águia portelense, a maior de todos os tempos, com 22 metros de comprimento e oito de altura, era a narradora do enredo da agremiação, que apostou na força de suas cores. Sem se deixar abalar pela chuva, os integrantes - entre eles ambientalistas e políticos - evoluiram com entusiasmo, batendo no peito na hora de cantar "Eu sou a água, sou a terra, sou o ar/Sou Portela". Fundada em 11 de abril de 1923, a Portela já comemorou 21 títulos ao longo de sua história, sendo a campeã do primeiro desfile oficial do carnaval carioca, no ano de 1935. E foi nesse ano que trouxe para a avenida um rústico globo terrestre idealizado por Antônio Caetano, introduzindo, assim, as alegorias nos desfiles. A escola é a maior vencedora do carnaval carioca. O desfile também apresentou a maior águia da história do carnaval carioca: a alegoria que representa a Águia da Portela tem 22 metros de comprimento e carrega dois quilômetros de neon.   A idéia do enredo veio dos apelos de diversos órgãos, que chamam a atenção para a questão ambiental, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Rio, apoiadores da escola. A beleza da fauna e flora do Brasil e do mundo foram mostradas e também as novas fontes de energia e soluções que o homem busca pra tentar reconstruir o que o tempo destruiu. Apesar do luxo apresentado na avenida, com carros alegóricos gigantes, a agremiação teve o patrocínio apenas na Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).   A Portela contou com participações ilustres, como a do ator Antônio Fagundes, que interpreta o personagem Juvenal Antena, da novela Duas Caras da Rede Globo. O desfile da Portela na Avenida Marquês de Sapucaí foi usado também como pano de fundo para uma escola de samba fictícia que integra a trama. Além de Fagundes, brilharam na avenida o ginasta Diego Hipólito, o cantor Zeca Pagodinho, a apresentadora e atriz Adriana Lessa, os atores Maurício Mattar, Paola Oliveira e Débora Nascimento e o cartunista Lan. A rainha da bateria é a ex-paquita Adriana Bombom abrilhantou o desfile.

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